Opinião: “S.O.S. jornalistas (especialmente os focas)”, por Fernanda Iarossi

Guias para evitar erros ou cometer gafes na cobertura jornalística; em tempos de epidemia de fake news e críticas aos veículos de comunicação e jornalistas, conhecimento amplo é essencial

Fernanda Iarossi | 02/10/2019 16:45
Crédito:Pixabay


A receita para cobrir temas delicados, polêmicos, fortes, distantes muitas vezes da realidade do jornalista ganha ingredientes essenciais: são os manuais ou guias para que repórteres evitem cometer erros.

Ao entrevistar pessoas traumatizadas, como proceder? Em relação ao agressor de uma criança ou adolescente, quais os cuidados ter? Diante de dados das pesquisas acadêmicas, como selecionar o que tem viés jornalístico? No caso de dependentes químicos, como agir?

Exemplos destes esforços que não estão necessariamente em livros acadêmicos ou tradicionais manuais das empresas jornalísticas são as dicas de cobertura da ANDI – Comunicação e Direitos (antes Agência de Notícias dos Direitos da Infância), disponíveis neste site. Uma lista de perguntas e respostas de temas como abuso e exploração sexual infantil, deficiência, direitos da infância, saúde, trabalho infantil, entre outros, garante referências básicas para a apuração jornalísticas mais assertiva.

Na cobertura de pautas ligadas à educação, a Jeduca, Associação de jornalistas de educação, tem guias, que indicam como compreender políticas, programas públicos na área educacional e pesquisas acadêmicas. Também reúnem experiências de profissionais ao cobrir escolas, entrevistar crianças, por exemplo.

A ONG Repórter Brasil, fundada por jornalistas, cientistas sociais e educadores para reflexão sobre a violação aos direitos dos trabalhadores no Brasil, tem um especial sobre trabalho escravo online.  

A ONU para orientar jornalistas na cobertura de acidentes de trânsito e tentar colocar em evidência a importância da segurança para a saúde pública disponibiliza material através desse link.

Especial no blog do Programa de Treinamento da Folha de S.Paulo compartilha dicas para entrevistar pessoas traumatizadas, a partir da experiência internacional.

Existe ainda o Guia sobre Drogas para Jornalistas da Plataforma Brasileira de Política de Drogas, com glossário com mais de 200 verbetes comumente usados na cobertura de drogas.

Crédito:Arquivo pessoal
*Fernanda Iarossi é jornalista, Mestre em Comunicação Midiática pela UNESP – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Neto. Professora nos cursos de Comunicação da UAM – Universidade Anhembi Morumbi e Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação e em São Paulo. Coordenada o Grupo de Pesquisa Discursos Midiáticos na Fapcom.

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