Opinião: “Jornalismo para crianças é pauta de gente grande”, por Marcio Gonçalves

Marcio Gonçalves | 27/09/2019 14:05
Crédito:Pixabay


Quem já leu meu perfil aqui na coluna, sabe que eu sou professor de mídias digitais para crianças. De dia, portanto, me dedico à escola e, de noite, termino minha jornada dando aula de jornalismo para adultos no curso de comunicação social em faculdades. Essa experiência com os alunos dos Ensinos Fundamental I e II só fez salientar meu interesse pelo jornalismo e me levou a acreditar na importância de aproximar as crianças das mídias.

Levar os gêneros jornalísticos para dentro da sala é um exercício e tanto. Na Base Nacional Comum Curricular, como já descrevi em colunas anteriores, a sugestão de trabalhar com jornalismo na escola está presente no conteúdo de Português. Mas eu quero descrever aqui que há iniciativas em diversos países que fazem conteúdo jornalístico voltado especificamente para a garotada. Com um pouco de filtro, é claro, bem à luz do que um gatekeeper pode ser, mas com uma abordagem das temáticas atuais em discussão na sociedade. 

O Jornal Joca é um exemplo deste tipo de jornalismo feito aqui no Brasil. A escola em que eu trabalho faz a assinatura dele. Vira e mexe vejo alguns exemplares na sala de aula. Na verdade, o que queria mesmo era ver os alunos folheando o jornal fora da sala. Mesmo para aqueles que não tem assinatura, o Joca possui um site com inúmeros recursos que podem ser explorados pelos professores.

Quando estive no Congresso de Jornalismo e Educação na Austrália, em 2017, descobri outras iniciativas de jornalismo voltadas para o público jovem. Lá é feito o Crinkling News. Com um slogan de ser o único jornal nacional para jovens australianos, é bonito perceber o cuidado em produzir conteúdo para esse público.

Nos Estados Unidos, o The Washington Post reserva uma seção chamada de KidsPost. Descrito como um espaço para notícias, recursos, concursos e atividades divertidas para crianças, o jornal americano também se dedica a cuidar do público infantil como consumidor de informação jornalística. 

A França também possui o periódico Le Petit Quotidien. Voltado para crianças entre 6 e 10 anos, o jornal é bastante colorido e sério. Eu acompanho a versão do Instagram e pulo de alegria toda vez que vejo as belezuras de capas que são feitas. 

Eu sou da época em que o Jornal O Globo publicava o encarte chamado Globinho. Fui agora procurar no Google um pouco mais sobre ele e me deparei com este blog que possui o último post lá em 2011. Acho que é hora de voltar os olhos para essa audiência futura. Que os grandes empresários de mídia jornalística nos ouça.

Crédito:Arquivo pessoal
*Marcio Gonçalves é doutor em Ciência da Informação e líder do projeto “Aula Sem Paredes” (www.aulasemparedes.com.br). É professor de Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação no Ensino Fundamental I e II e no Ensino Médio na Escola Eliezer Max e docente no Ibmec, na Facha e na Unesa. É autor de livros nas áreas da comunicação social. O livro mais recente foi lançado pela Editora Matrix sob o título Inteligência Digital.

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