Opinião: “Comunicação de alta performance”, por Sergio Bialski

Sergio Bialski | 28/08/2019 15:03
Crédito:Pixabay


Muito se fala, hoje em dia, que precisamos de uma comunicação de alta performance, apta a lidar com o desconhecido e com o mundo em constante mudança em que vivemos. E isso não é lugar comum, afinal, a velocidade das mudanças que ocorrem em todos os campos impele a um novo comportamento das organizações perante seus públicos. Elas passam a se preocupar mais com as reações sociais, com os acontecimentos políticos e com os fatos econômicos mundiais. Nesse contexto, o planejamento de políticas de comunicação capazes de responder aos novos anseios e exigências adquire um significado cada vez maior, como uma necessidade para o presente e um investimento para o futuro.

Infelizmente, em nosso dia a dia profissional, o conceito de comunicação de alta performance foi mutilado ao longo do tempo e associado à capacidade de resolver problemas de forma rápida, adequada e sem traumas para preservar o bem mais precioso das empresas: sua imagem e reputação de marca no mercado. O resultado disso é que nos tornamos meros tarefeiros, desperdiçando talento pessoal e recursos para sanar adversidades. 

Se você não está convencido dessa realidade, basta começar a contabilizar o tempo que gasta para resolver situações de comunicação que planejou resolver num dia habitual de trabalho versus o tempo que usa para resolver novos problemas que aparecem. O quociente dessa equação é desanimador e, ao longo dos quase 25 anos de minha carreira corporativa, sempre foi nítida a percepção de que o tempo de um gestor de comunicação é gasto, muitas vezes, mais em questões de ordem tática e operacional do que em assuntos de ordem estratégica e criativa.

Feedback é outro item escasso no processo de comunicação, especialmente no ambiente corporativo. Primeiro porque, geralmente, os gestores alegam não ter tempo para isso, afinal, aprenderam que prêmios e benesses são sempre dados àqueles que entregam resultados a curto prazo e não àqueles que “perdem tempo” incentivando e dando feedbacks positivos diários a seus diferentes públicos, ou seja, agir é mais importante que pensar, motivar e dar satisfação das ações, fazendo uso eficaz da palavra. 

Infelizmente não se sabe distinguir o que é importante e o que é urgente. Tudo o que é importante e agrega valor à comunicação é deixado de lado porque, invariavelmente, o urgente se torna prioridade para agradar a solicitação de chefes ou de áreas que fazem pedidos sem o menor senso de planejamento.

A cada dia fica mais clara a importância da Psicologia Positiva e o quanto estava correto o Dr. Martin Seligman, um de seus introdutores nos EUA, na década de 90, afinal, a busca do bem-estar, da felicidade, das forças e virtudes do ser humano levam-nos a acreditar mais no conceito de ‘eupresa’ do que na empresa. Felicidade, otimismo, altruísmo, esperança, alegria, resiliência, virtudes, energia e força fazem parte da comunicação de alta performance e promovem uma atitude mental tolerante e criativa perante o mundo.

O Dr. Martin Seligman e o Dr. Christopher Peterson conduziram uma extensa pesquisa sobre as virtudes em diferentes culturas, religiões e filosofias e o resultado disso foi publicado, em 2004, na obra Character strengths and virtues: a handbook and classification. Eles desenvolveram um sistema de classificação denominado VIA (Values in Action), que enfatiza 24 forças de caráter, agrupadas em 6 grupos de virtudes, que são universais e abrangem capacidades para ajudar a nós mesmos e aos outros. Guarde-as com cuidado, pois podem ser a chave para uma comunicação de alta performance, permitindo-lhe trabalhar de forma mais eficaz para alcançar suas metas pela via mais curta e rápida:

1) Virtudes da sabedoria e do conhecimento: curiosidade, prazer em aprender, criatividade, perspectiva e abertura para novas ideias.

2) Virtudes da coragem: valentia, perseverança, integridade e entusiasmo.

3)  Virtudes humanitárias: amor, compaixão e inteligência social.

4) Virtudes da justiça: cidadania, justiça e liderança.

5) Virtudes da temperança: perdão, humildade, prudência e autocontrole.

6) Virtudes da transcendência: apreciação gratidão, otimismo/esperança, humor e espiritualidade.

Alcançar a comunicação de alta performance, no final das contas, é muito mais do que, de vez em quando, superar as expectativas dos outros. É, antes de tudo, se autoencantar e encantar os diferentes públicos a partir de propósitos elevados e das virtudes supracitadas. O caminho é conhecido. Sua prática obstinada é um atalho para chegar lá mais rápido.

Crédito:Arquivo pessoal
*Sobre o Professor Sergio Bialski: Graduação, Pós-Graduação e Mestrado em Comunicação pela USP. Possui mais de 20 anos de experiência no mundo corporativo, atuando como Gerente de Comunicação em empresas multinacionais. Palestrante e Professor universitário há 10 anos, nos cursos de Publicidade, Relações Públicas e Jornalismo. É ganhador do Prêmio "Professor Imprensa 2018", na categoria Professor Universitário, como “o mais inspirador professor de Comunicação da Região Sudeste do Brasil”, em votação pública. Para obter mais informações, acesse: www.sergiobialski.com.br

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