Opinião: "O futuro será melhor, tenha fé", por Marcelo Molnar

Marcelo Molnar | 12/08/2019 15:56
Crédito:Pixabay



Planejar e executar mudanças sempre foi um desafio. Nos dias de hoje, parece uma insanidade. Mesmo com esta consciência, tenho o propósito de analisar os impactos da tecnologia nos próximos 10 anos, com enfoque no segmento da comunicação. Afinal, estamos às portas de uma nova década. Uma nova geração. Conceitualmente, o termo “geração” significa procriação, ou seja, o ato de se produzir descendentes. Mas, em um sentido mais amplo, pode se imputar ao ato de se produzir algo inanimado, como ideias, som, eletricidade ou um código criptográfico. Também pode se referir a conjuntos de descendentes, como a Geração Y, ou aos estágios sucessivos de melhoria no desenvolvimento científico, como a dos motores híbridos, ou os sucessivos lançamentos de produtos com obsolescência programada, como consoles de videogame e celulares. As aplicações do 5G suportarão uma nova linhagem tecnológica de conexão para as telecomunicações móveis. É sobre esse último ponto que dedico meus esforços: um novo universo de conectividade utilizando a tecnologia do 5G e a evolução das aplicações de inteligência artificial (IA) nos negócios, na sociedade e no comportamento humano. 

Consultando inúmeros artigos, reportagens e relatórios de diversas origens, cheguei a quatro grandes pilares que impactarão as mudanças dos próximos anos: Transformações Geopolíticas; Reorganização Social; Humanização Ampliada e Diversidade Energética. Os impactos na área da comunicação são heterogêneos, mas esses vetores ditarão as tendências, desde as alterações planetárias, até o pensamento e desejo individual de cada um de nós.

Quando olhamos sob o ângulo das transformações geopolíticas, encontramos um movimento de superação e protagonismo da China em relação aos Estados Unidos. Afinal, quando um país se torna um fornecedor para o mundo, monopolizando mercados para si, algo de bom ou de ruim está acontecendo. Tudo dependerá de como tal monopólio será utilizado. Nós nos acostumamos com a liderança dos Estados Unidos. Mas a avassaladora presença da China nas economias de, pelo menos, 60 países (a chamada Rota da Seda) mudará completamente o cenário. A preponderância econômica gera uma dependência que, por sua vez, abre portas para influências militares. Faltava o controle tecnológico. A tecnologia 5G, dominada amplamente pelas empresas chinesas, fechará o ciclo. Junto com a populosa Índia e a avançada Coreia do Sul, veremos o inevitável deslocamento dos costumes e do controle mundial migrando do ocidente para o oriente. As turbulências e seus desdobramentos nesse processo são inimagináveis nos dias de hoje.

Paralelamente, já se observa a aceleração do processo de reorganização social. Governos autoritários enfrentarão os tradicionais valores democráticos. A evolução tecnológica do 5G dará condições de controle e vigilância sobre os indivíduos. A comunicação entre humanos perderá relevância em comparação aos dados gerados pelos dispositivos. Não importará mais o que declararmos, mas sim os registros digitais cada vez mais precisos e detalhados do nosso comportamento, armazenados em grandes repositórios de dados, disponíveis aos gestores robóticos pré-programados. Os vazamentos de informações serão em maior número, e grandes geradores de conflitos. Uma nova estrutura de relacionamentos e interesses surgirá para regular o que será publico e o que será privado. 

O conceito de humanização será ampliado, ou seja, além dos pets, trataremos robôs e outros dispositivos como um de nós. A medicina regenerativa nos proporcionará maior longevidade e fará com que vivamos muito mais tempo como velhos. A terceira idade será suplantada pela idade expandida. Implantes nanotecnológicos controlarão nossos sinais vitais. Seremos seres híbridos. As próteses além de substituir partes do corpo humano, proporcionarão poderes extras. O deslocamento físico será uma opção. Poderemos estar presentes em vários lugares ao mesmo tempo através de imagens holográficas, e a comunicação digital e virtual ganhará novas dimensões. Nossas experiências sensoriais serão cada vez mais intensas. A aventura de viver ganhará novos contornos.

As instabilidades climáticas nos forçarão a corrigir a matriz energética. A utilização dos recursos naturais será controlada e encontraremos uma equação mais equilibrada e viável entre a abundância de recursos e o excesso de consumo. A desmaterialização será cada vez maior. O esforço humano será utilizado para a prestação de serviço e não para a produção de produtos. Os custos serão calculados pelo descarte e não mais pela aquisição. Na comunicação, apesar dos grandes volumes, a necessidade dos elementos físicos (papel e aparelhos) serão dispensáveis. Ao mesmo tempo, a utilização de energia será progressivamente menor. Mas os eventos extremos permanecerão.

Mas se engana quem pensa que a vida será pior na próxima década. Será apenas diferente. Nossas expectativas serão antecipadas. Poderemos falar em qualquer língua nativa e seremos entendidos. Os dispositivos, quando necessários, nos ajudarão a extrair ao máximo todas as oportunidades. O controle do Estado sempre será questionado pela livre concorrência. Aprenderemos e nos adaptaremos às novas condições e daremos maior valor a diversidade. Tenha fé!  

Crédito:Arquivo pessoal
Sobre o autor: Marcelo Molnar é formado em Química Industrial, pela Faculdade Oswaldo Cruz, com pós graduação em Marketing e Publicidade, pela ESPM. Experiência de  18 anos no mercado da Tecnologia da Informação, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Consultor Estratégico de Marketing e Comunicação da BrasilConsult, Viscoplan, HAC, SDGroup e Nexial. Trabalhou como analista de Pesquisas de Mercado com institutos como Meta Group, Gartner Group, IDG e CVA, desenvolvendo projetos para o Bradesco, Itaú, Telefônica, Banco Santander, Banco Toyota, UOL, Pão de Açúcar, Editora Abril, Janssen entre outros. Ex-Vice-Presidente da Sart Dreamaker. Criador do processo ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de sua relação emocional com seus consumidores. Sócio Fundador da Todo Ouvidos, empresa especializada em pesquisa e monitoramento de redes sociais. Sócio Diretor do grupo Boxnet (Maxpress, Boxnet e Todo Ouvidos).

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