Opinião: “Ao contrário da velocidade da luz”, por Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro | 29/07/2019 16:17
Crédito:Edu Moraes
Cantávamos alegremente “tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus...”, plagiando o Benito de Paula, quando acordamos na segunda década do Século 21. Olhamos para a tela mais próxima e não conseguimos entender mais nada. Notícias que não fazem sentido, pós-verdade, entrevistas de blogueiros, influencers, e nomes como Google, Twitter, Instagram, WhatsApp, Facebook, Wikipedia cada vez mais citados. Hackers e wikileaks. Mais confusão com o tal jornalismo viral, widgets virais, memes, games, sites de busca e muito, muito mais. Uma confusão nas redes sociais com notícia misturada com talk show e muita coisa publicada sem o mínimo de apuração. Ao contrário do que concluiu Einstein, a velocidade da notícia não tem limite, como a da luz, acelera sem parar.
                                        
Com a internet e seus gadgets, os ditadores não conseguem mais censurar as notícias, com fotos e/ou vídeos tiradas de celulares que mostram acontecimentos e informações instantâneas. Políticos fazem lives e se comunicam diretamente com o povo sem a intermediação de jornalistas. Aperfeiçoaram uma prática que vem dos tenebrosos anos 30 do século passado. A grande mudança no jornalismo com a internet não foi, como parece, de tecnologia, mas de paradigma. O público opta por trocar as plataformas tradicionais, como as de papel e tinta, pelas telas onde pululam os bits e bytes e enlouquecem os departamentos comerciais das empresas de comunicação. Não há mais separação entre o produtor e o consumidor de notícias, como no passado. Não há mais exclusividade de produção de informações na internet. O consumidor ganhou as rédeas da comunicação e consome o que julga correto e tem o relacionamento que julga importante para a sua vida. O jornalismo na internet se transformou pela própria ação do público em uma mistura de rede de pessoas e marcas, onde todos buscam ao mesmo tempo fazer parte dessa gigantesca produção global de notícias. 
Crédito:Pixabay

Nesse admirável mundo novo do jornalismo sobrevivem os princípios da ética, isenção, busca do interesse público, pluralismo de versões e de visões. Está difícil identificar a fonte da informação, agravada pelo cultivo das fake news geradas ingênua ou maliciosamente. O público consumidor de notícias moldou a internet para atender aos seus interesses, busca da comunicação instantânea e as redes sociais. É ao mesmo tempo produtor e consumidor de informação e notícias, repetimos com ênfase. É neste universo sutil e digital que navegam todos. “Bem, meus caros, diz nossa alter ego ao longo do livro Jornalismo, publicado pela Alta Books, Dona Juventina, só me resta lembrar a vocês a frase da Esfinge: decifra-me ou devoro-te. Essa frase é do Sófocles e não do Fócrates, seus incultos.” Mais detalhes nesta modesta contribuição com a participação do jornalista Udo Simons. Contudo, seguimos firmes e fortes com o norte: “O bom jornalismo não desperta paixões, desperta reflexões.”

*Heródoto Barbeiro é editor chefe e âncora do Jornal da Record News em multiplataforma.

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