Documentário radiofônico aborda um dos maiores escândalos do futebol brasileiro

Redação Portal IMPRENSA | 17/06/2019 12:16
Crédito:Arquivo pessoal / Victor Stok
Victor Stok desenvolveu como projeto de TCC o documentário radiofônico “Máfia Do Apito, Jogo Sujo Dentro e Fora das Quatro Linhas” (escute aqui), sobre um dos maiores escândalos do futebol brasileiro – a Máfia do Apito – e seus impactos na legislação esportiva, na imprensa e no futebol.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Victor compartilha sua História de TCC. Ele se formou em 2018 em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelo Centro Universitário de Rio Preto (UNIRP). 

Sobre o trabalho

O meu TCC foi a produção de um documentário radiofônico sobre a Máfia do Apito, escândalo de venda e manipulação de resultados do Campeonato Brasileiro de 2005, na figura central do ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho. Foram entrevistados, além de Edilson, os jornalistas André Rizek e Thaís Oyama, o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro e o ex-treinador Muricy Ramalho.

O jornalismo esportivo comumente é visto como simplório e raso dentro do universo das mídias, entretanto casos específicos demonstram exceções que fogem a esta visão preconceituosa e equivocada. Sendo assim, o trabalho tem como objetivo revelar um desses casos em que a atuação jornalística desmantelou um esquema de manipulação de resultados. 

Na parte escrita, em um primeiro momento analisei o histórico do jornalismo esportivo e do jornalismo investigativo, assim como a relação entre eles. Busquei relembrar o caso de 2005 e explicar os pormenores da reportagem publicada pela revista Veja na época. 

Já no produto radiofônico, o objetivo foi relembrar o caso com os personagens e especificar como a descoberta do caso impactou a imprensa e o esporte. A Máfia do Apito trouxe transformações para o esporte, com a melhora da legislação esportiva. A falta de punição judicial dos responsáveis do caso na época serviu para que alterações na lei fossem feitas. Foi por meio da Lei 12.299 de 2010 que casos de manipulação e fraudes em resultados esportivos passaram a ser punidos com dois a seis anos de prisão e multa. A lei alterou alguns termos do Estatuto do Torcedor, de 2003, e modificou também questões relacionadas à violência no estádio e cambismo de ingressos. A lei entrou em vigor apenas em 2010, não podendo ser utilizada para punir os envolvidos no escândalo aqui em questão.  

Além disso, a descoberta do caso por jornalistas da revista Veja, uma das mais importantes do país, revela como o jornalismo de assuntos esportivos pode ter características investigativas e atingir o grande público que não conhece as particularidades do esporte. Foram seis meses de apuração jornalística pelo veículo, que resultou em uma reportagem de dez páginas e na consequente prisão momentânea de Edilson e da quadrilha. O caso foi importante para o jornalismo, pois os repórteres André Rizek e Thaís Oyama estavam à frente das investigações e passavam informações ao Ministério Público e à Polícia Federal. 

Segundo dados da própria revista solicitados para o trabalho, a edição 1924 teve tiragem de 296 mil exemplares, dos quais 218 mil foram vendidos em banca. Foi a 9ª revista mais vendida de 2005, perdendo, entre outras, para as edições 1915, sobre Marcos Valério e escândalos no governo, que vendeu 237 mil edições; e para a edição 1925, que tratou sobre o referendo das armas e as 7 razões para votar não, com 226 mil exemplares vendidos. Levando-se em consideração que são ao menos 48 revistas por ano, ocupar a nona posição da mais vendida revela o interesse do público pelo assunto, já que trazia em sua capa a imagem de Edilson com o título MÁFIA DO APITO. 

Principais desafios ao longo da produção

O principal desafio foi conseguir entrar em contato com os jornalistas envolvidos na produção da reportagem em 2005 e entrevistá-los para o produto de rádio, já que teriam que achar tempo para conversar e relembrar o caso da Máfia do Apito. Outro desafio foi conversar diretamente com o ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho, uma vez que achei que não fosse me atender ou descrever os acontecimentos de 2005, porém, conversou tranquilamente e respondeu a todas as perguntas. 

Os aprendizados

O aprendizado principal foi compreender como o jornalismo esportivo não se resume a noticiar jogos e resultados, mas que deve ir além da “agenda esportiva” para denunciar casos de corrupção e o que acontecer de errado no esporte, função primordial do jornalismo e do jornalista em seu papel ético e moral.

Significado dessa experiência

Acredito que poder contribuir com a produção jornalística sobre o tema da Máfia do Apito e conhecer os bastidores de uma produção mais complexa e detalhada. Assim como o aprofundamento na pesquisa me deixou mais próximo da história, seus detalhes e impactos no esporte como um todo. Para um estudante que sai da graduação, é importante estar em contato direto com grandes histórias e saber construir um enredo que atraia o ouvinte/leitor.

Contribuições que o trabalho trouxe

O trabalho mudou minha visão sobre como fazer jornalismo. Com tempo e mais dedicação, e se aprofundando na história, isso pode render bons conteúdos e melhorar a qualidade final do produto. As grandes redações e a maioria dos jornalistas, acostumados com o pouco tempo de apuração, devem sofrer com a demanda rápida por notícia e conteúdo.
 
Conselhos para quem está fazendo o TCC

O conselho principal é gostar do tema, aprofundar-se e ler tudo sobre ele, nas mais diferentes mídias, veículos e fontes de informação, para que isso ajude você a construir sua visão e focar no que considera mais interessante para o seu trabalho. Outro conselho é pedir ajuda ao orientador sobre como abordar o tema, em que focar e como desenvolver o trabalho, afinal, eles são mais experientes e têm muito a contribuir.

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