Opinião: "A 5ª geração da guerra de informação", por Marcelo Molnar

Marcelo Molnar | 11/06/2019 16:24
Crédito:Pixabay



Estamos em guerra! Parece a forma lógica de afirmar quando pensamos em informação, não é? Afinal, somos bombardeados o tempo todo por dados, notícias, comentários, opiniões, fotos, mensagens, pesquisas, conceitos, previsões, análises, anúncios, relatos, pareceres, avisos, explicações, e outros tantos sinônimos para definir o que é informação. Nesta disputa, a primeira vítima é o nosso tempo. A definição original e acadêmica para Guerra de Informação envolve o uso e gerenciamento de diversas tecnologias, buscando uma vantagem competitiva sobre um adversário. Esse confronto de informações serve para dispersar, desinformar, desmoralizar ou manipular o inimigo e o público em geral, debilitando a qualidade do conhecimento da força oposta. Similar à guerra psicológica.

Se retornarmos um pouco no tempo, lembraremos da época que a informação era escassa. Nós, humanos, sempre valorizamos o que existe em pequena quantidade e temos carência. Desenvolvemos modelos matemáticos e estatísticos para, com poucos registros, conseguir construir cenários e fazer previsões. Era a época da amostragem. Em muitas áreas da ciência, este é ainda o paradigma atual. Afinal, não tiramos todo o sangue do nosso corpo para fazer um exame, certo? A tecnologia vem evoluindo e transformando escassez em abundância, gerando conflitos e oportunidades. Realizamos o mapeamento genético, mas ainda existe uma quantidade de dados que não sabemos utilizar. Um recente estudo sugere que apenas 8,2% do DNA humano, ou cerca de 250 milhões das chamadas letras que formam a sequência de DNA, são funcionais, e mais de dois bilhões não são. Ou seja, mais uma contradição do excesso de informações.

Nas mais variadas áreas enfrentamos pugnas diárias. Tentamos separar o joio do trigo, o verdadeiro do falso, o importante do insignificante, o real do virtual, valorizando a clareza. Exigimos transparência dos políticos, dos poderosos, das instituições, e de todos que nos cercam.  O que muitas vezes é um paradoxo, pois a sensação é de que nada mais pode ser escondido e de que tudo pode vir à tona a qualquer momento. Vivemos uma Era em que omitir não dá garantias e mentir é um risco. Um vídeo, uma foto, um áudio, um comentário feito em uma rede social ou em um aplicativo, tudo colabora para a “erupção” dos fatos. Paralelamente, desejamos privacidade. Afinal, a privacidade, é um direito inerentemente humano e um pré-requisito para a manutenção da condição humana com dignidade e respeito.

No conflito entre a privacidade e a transparência surgem questões como: “Se você não está fazendo nada de errado, o que você tem a esconder?”, por outro lado: “Se não estou fazendo nada de errado, então você não tem motivo para me vigiar.” Independentemente do que se está, ou não fazendo, a realidade é que tudo é monitorado. Todos os dados e metadados estão sendo arquivados. E para aqueles que acham que estamos no limite da exposição, é preciso atentar para a revolução que bate à porta. Sim, estou falando do 5G, (Quinta Geração de internet móvel ou Quinta Geração de sistema sem fio) e de toda a revolução que acompanha sua implantação.

Já afirmei que será no 5G que o protagonismo da comunicação entres humanos acabará. A maioria de tudo o que vemos e falamos ainda está intimamente ligado a interação entre humanos, ou entre objetos não conectados. Este mundo está prestes a mudar. Por exemplo: Se o seu dentista perguntar qual é seu hábito de higiene diário na escovação, o que você responderia? Provavelmente algo diferente do que os dados armazenados na sua escova de dente, certo? Da mesma forma, se seu médico perguntar sobre a qualidade do seu sono, sua cama, travesseiros e outros objetos envolvidos nesta rotina, forneceriam informações preciosas para sua saúde. Isso acontecerá quando todos esses objetos estiverem conectados, gerando dados e informações corretas. Sim, também estamos falando de IoT (sigla de “Internet das Coisas” em inglês).

As mudanças que se apresentam neste campo de batalha, são tremendamente impactantes e quase impossíveis de se imaginar. Tudo que conhecemos e acreditamos será passível de transformação. As atividades humanas e a razão da nossa existência será questionada. Tucídides, um historiador da Grécia Antiga, escreveu a História da Guerra do Peloponeso, da qual foi testemunha e participante, contando sobre os conflitos entre Esparta e Atenas, ocorrida no século V a.C.. Preocupado com a imparcialidade, ele relata os fatos com concisão e procura explicar-lhes as causas. Ele acreditava que toda vez que um poder em ascensão cresce a ponto de ameaçar o poder dominante, uma guerra torna-se inevitável. É neste ponto que estamos. A soma dos dispositivos conectados, gerarão e armazenarão mais dados úteis, que a própria humanidade. Mesmo sabendo que tudo foi criado para facilitar a vida humana. A aparente guerra comercial é apenas um pano de fundo. A tecnologia é um meio, e a informação um instrumento para alcançar e perpetuar o poder. Como vemos, os conflitos são inúmeros, e aumentarão na mesma velocidade que nossas conexões. 

Crédito:Arquivo pessoal
Sobre o autor: Marcelo Molnar é formado em Química Industrial, pela Faculdade Oswaldo Cruz, com pós graduação em Marketing e Publicidade, pela ESPM. Experiência de  18 anos no mercado da Tecnologia da Informação, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Consultor Estratégico de Marketing e Comunicação da BrasilConsult, Viscoplan, HAC, SDGroup e Nexial. Trabalhou como analista de Pesquisas de Mercado com institutos como Meta Group, Gartner Group, IDG e CVA, desenvolvendo projetos para o Bradesco, Itaú, Telefônica, Banco Santander, Banco Toyota, UOL, Pão de Açúcar, Editora Abril, Janssen entre outros. Ex-Vice-Presidente da Sart Dreamaker. Criador do processo ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de sua relação emocional com seus consumidores. Sócio Fundador da Todo Ouvidos, empresa especializada em pesquisa e monitoramento de redes sociais. Sócio Diretor do grupo Boxnet (Maxpress, Boxnet e Todo Ouvidos).

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