“Meu livro-reportagem representou o começo da minha carreira”, diz o jornalista Alan Rios

Gisele Sotto, em colaboração | 31/05/2019 12:35
Em formato de uma grande reportagem – abordando lados que defendem e que atacam a proposta polêmica – o livro de Alan Rios explora o universo complexo da educação domiciliar, o homeschooling, e permite um passeio pela história, uma análise sociológica, reflexões psicológicas e uma visão jornalística sobre a peça-chave do futuro de qualquer país: o ensino. 

O livro “Os porquês da educação domiciliar no Brasil” foi lançado em novembro de 2018 e contribui com a discussão de um assunto que pauta cada vez mais jornais, lares e instituições de ensino do país.

Alan se formou, em 2018, em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela UCB - Universidade Católica de Brasília, e em entrevista ao Portal IMPRENSA compartilha sua História de TCC. 
Crédito:Bárbara Brito

Sobre o trabalho 

Meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi um livro-reportagem sobre os porquês da educação domiciliar no Brasil. Nele, eu quis ampliar o debate sobre o homeschooling, um modelo de ensino comum em alguns países e proibido em outros, para mostrar como ele funciona e quais os pontos positivos e negativos dele no nosso território, já que pouco se discutia do assunto por aqui e ele estava crescendo bastante entre os adeptos. Um dado que me chamou a atenção foi que o número de famílias que praticavam a educação domiciliar no Brasil aumentou em 136% de 2014 a 2016, então vi uma grande necessidade de dar luz ao modelo.

Principais desafios ao longo da produção 

Foi um tema desafiador desde o começo, nas pesquisas. Como pouco se falava sobre o homeschooling no Brasil, eu tive dificuldades para encontrar obras que tratassem do tema de forma ampla, então tive que ler muitos artigos segmentados. Um que comentava só sobre o aspecto jurídico da educação domiciliar, outro que focava na abordagem psicossocial dos alunos e assim por diante. Depois, começaram a surgir as dificuldades em encontrar entrevistados, já que, quando eu estava produzindo o trabalho, a legislação brasileira ainda não estava muito bem definida a respeito do homeschooling e muitos pais tinham medo de perder a guarda dos filhos contando suas histórias. Mas consegui conversar com uma família que topou abrir as portas de casa para mim e mostrar o cotidiano desse modelo, totalmente fora do tradicional. A partir daí, as dificuldades foram ficando de lado e as oportunidades de fazer um bom trabalho também foram se abrindo.

Os aprendizados

Para mim, o TCC foi uma oportunidade de colocar em prática um pouco de tudo que aprendi nos quatro anos de curso. Então eu pude, por exemplo, perceber que uma técnica de produção das aulas de jornalismo literário se encaixava perfeitamente em alguns momentos da reportagem, mas, ao mesmo tempo, era preciso usar a apuração e precisão factual que tinha aprendido em outras disciplinas quando chegava em determinada situação do texto. Sem contar que foi um projeto grande, então aprendi a fazer entrevistas maiores, mais complexas, a realizar leituras mais densas. Ao final, também ficaram os aprendizados relativos à organização e ao planejamento da reportagem, que são características essenciais para qualquer tipo de produção jornalística.  

Significado dessa experiência

Acredito que todo aluno que encara um TCC passa por momentos de muita tensão durante o processo, já que é algo que exige muito e vem em um momento de término de um ciclo importante da vida, que é a graduação. Comigo também foi assim. Eu queria mostrar o quanto havia aprendido e o quanto tinha crescido como estudante, mas também estava exausto com todo o trabalho e de certa forma inseguro com o que viria pela frente, depois de formado. Isso, pessoalmente, fez com que o trabalho tivesse um significado enorme. Hoje vejo o meu livro-reportagem como se fosse um filho, que veio entre dificuldades e acabou me dando muito orgulho.

Contribuições que o trabalho trouxe 

Eu sempre procurei fazer um TCC que não representasse só o final da graduação, mas também o começo da minha carreira. Foi isso que aconteceu. Consegui uma avaliação máxima na apresentação do livro-reportagem e ele foi me rendendo conquistas mais rápido do que eu esperava. Primeiro, na semana seguinte à conclusão do curso, uma jornalista que leu a obra me indicou para trabalhar na editoria de Cidades do Correio Braziliense, onde estou atualmente. Como o livro ainda estava somente nas plataformas online, uma editora me convidou para lançar também em formato impresso, o que me abriu caminhos como escritor. Também fui convidado para fazer parte de uma associação de escritores e estou organizando palestras e debates sobre o tema do livro.

Conselhos para quem está fazendo o TCC 

A experiência do TCC varia muito de um estudante para outro, mas o que não muda em qualquer tipo de trabalho é a importância da organização e do planejamento. Isso é uma base bem forte para tudo que vem depois. Quando conseguimos organizar nossos horários de leituras, pesquisas, entrevistas, orientações, escrita, fica mais fácil acabar com o bicho de sete cabeças que o trabalho pode se tornar. Depois de estruturar bem o que fazer no TCC, também vejo como essencial conversar com pessoas que conhecem o tema proposto e manter muitos diálogos com o professor orientador. Eu tive duas orientadoras que foram como mães para mim, porque nossas reuniões serviam tanto para dar luz aos caminhos teóricos quanto para desabafos e questões mais pessoais. É importante escolher alguém que tenha familiaridade com o tema e também seja humano com o aluno, porque o nosso TCC é algo que nos marca e nos representa para toda a vida. 

Alan lembra a importância, na sua trajetória, de Renata Giraldi, que é docente na UCB - Universidade Católica de Brasília, e uma das orientadoras do seu TCC. “Sua experiência de mais de 30 anos no jornalismo faz com que os estudantes tenham aulas que mesclem a teoria com os exemplos práticos dados por ela, que passam a ser vividos por nós com uma inserção no mercado facilitada por esses ensinamentos”.

Leia também