“É preciso humanizar a comunicação e as relações profissionais”, ressalta Nayara Thomaz

Gisele Sotto, em colaboração | 30/05/2019 12:49
Nayara Thomaz escolheu como case para o seu TCC o Pequeno Cotolengo Paranaense, instituição que oferece, há mais de 50 anos, acesso a acolhimento, saúde e educação para cerca de 200 pessoas com deficiências múltiplas, abandonadas pelas famílias ou em situação de risco. No projeto, Nayara estudou a humanização no contexto da instituição, buscando meios verbais e não verbais de comunicação. 

Ela se formou em Relações Públicas pela PUCPR - Pontifícia Universidade Católica do Paraná em 2018 e, em entrevista ao Portal IMPRENSA, compartilha a história do seu TCC.

Sobre o trabalho 

O meu trabalho de conclusão de curso foi sobre a "Comunicação com abordagem humanizada no Pequeno Cotolengo". De forma básica, busquei estudar a humanização no contexto da instituição, buscando meios verbais e não verbais de comunicação que expressam humanização. Fiz cinco pesquisas para avaliar isso. Foram: duas entrevistas, observação direta, pesquisa quantitativa e análise de conteúdo.

Principais desafios ao longo da produção 

Creio que o principal desafio tenha sido comigo mesma. No início do trabalho eu estava ainda muito perdida e sem saber qual rumo tomar. Entretanto, o começo é realmente desafiador, é difícil pela dimensão do trabalho. Aos poucos as ideias vão se organizando. Para resolver isso, fiz mapas mentais, organizei tudo o que eu queria estudar em esquemas e analisei várias vezes, com a ajuda do meu orientador, para ver se era aquilo que eu realmente queria - e quais temas eram relevantes para a pesquisa. 

Para manter a mente equilibrada, também fiz acompanhamento com psicólogo. Isso foi importante, pois foi um ano muito intenso e foi preciso abrir mão de muitas coisas para conseguir conciliar a rotina de trabalho, estudo, TCC, vida pessoal, etc. Tive que dispor de um tempo a mais para isso, então eu ia quase todos os dias para a biblioteca da universidade, com o intuito de desenvolver melhor o trabalho em um ambiente em que estivesse mais concentrada.

Os aprendizados

Os aprendizados foram muitos. Optei pela pesquisa no formato individual porque eu queria me desenvolver em diversos aspectos por meio dela. Desde a escrita propriamente dita, até o olhar crítico com base no tema da pesquisa para identificar elementos na instituição. O trabalho me ajudou a melhorar muito como profissional, e passei a aplicar estas estratégias de humanização no meu dia-a-dia de trabalho depois de formada. 
Crédito:Arquivo pessoal
Nayara Thomaz com o professor Marcos José Zablonsky, da PUCPR, na entrega do prêmio "Destaque RP"

Significado dessa experiência 

Enquanto estive na graduação, eu não havia experimentado o sentimento de ser uma profissional responsável pela comunicação e capaz de realizar um excelente trabalho. Depois de fazer o trabalho e receber uma premiação de melhor monografia do curso, o "Destaque RP", comecei a acreditar muito mais em mim mesma e a perceber o quanto eu estava preparada para encarar o mercado de trabalho com todo o conhecimento que adquiri durante a graduação.

Contribuições que o trabalho trouxe

O meu trabalho teve como tema a humanização na comunicação. Por ter sido uma pesquisa desenvolvida no terceiro setor e na área das doenças múltiplas, creio que tive uma perspectiva bem grande sobre o tema nesse cenário. É preciso humanizar a comunicação, as relações e a as ações dos profissionais. Isso não somente em um ambiente com grande carência social, mas também na atuação dos comunicadores no dia a dia. Afinal, é impossível comunicar sem ter a preocupação com o outro e a humanização nada mais é que isso: comunicar tendo em mente o outro como um ser humano, cheio de complexidades, anseios e necessidades.

Conselhos para quem está fazendo o TCC 

Calma. Nenhum trabalho é impossível ou extremamente difícil. Nós, que estudamos durante anos e obtivemos muitos conhecimentos, somos capazes de fazer um ótimo trabalho. O nível de dificuldade de um TCC é bastante aumentado, sem necessidade, quando imaginamos que é um "bicho de sete cabeças". Ao final do meu projeto fiquei com uma sensação de "ah, foi difícil, mas não TANTO quanto imaginei no começo".

Leia também