Opinião: "Passando o chapéu – só que virtual", por Fernanda Iarossi

Crowdfunding em projetos jornalísticos desafia produtores de conteúdo em um país cuja a resposta para “você pagaria para acessar notícia na internet?” é comumente o “não” ou o “talvez” ou “nunca pensei nisso”

Fernanda Iarossi | 23/05/2019 16:55

Crédito:Pixabay


Desenvolver um produto, texto, um projeto cultural, uma obra de arte, com a ajuda de uma multidão conectada pela internet. Esta ideia resume o conceito de crowdfunding, que tem sido uma opção em projetos jornalísticos.


O palco deste encontro entre criadores e pessoas são plataformas que “organizam” este encontro (mediante regras pré-estabelecidas), como Kickante, Catarse, Benfeitoria, Juntos.com.vc.


A vaquinha virtual representa uma construção coletiva por meio de doações, em geral de pequenos valores que somam uma quantia suficiente para que o projeto proposto saia do papel ou cresça. E quem contribui tem recompensas, como produtos (camisetas, adesivos, livros, etc.) ou algo mais subjetivo, como o nome na lista de doadores/apoiadores, o direito a acompanhar a produção ou um agradecimento especial.


No jornalismo, é comum a prática do financiamento coletivo para uma única ou série de reportagem, uma cobertura contínua/especializada, uma nova plataforma/publicação/aplicação ou um serviço que apoia a prática jornalística em geral.


As plataformas, que cobram taxas dos criadores, costumam oferecer diferentes formas de arrecadação, baseadas em metas e prazos. Há modalidades como: mesmo que o projeto não atinja a meta o realizador leva o dinheiro ou caso não atinja a meta de arrecadação ao final de sua campanha todo o dinheiro recolhido é devolvido aos apoiadores. Existem também programas de assinaturas, recorrentes, junto a base de fãs.


Pegando carona com este movimento que lembra o analógico “passar o chapéu”, o Projeto ACAPA - A primeira página que você não vê no jornal que você lê - lança campanha de financiamento coletivo para “melhorar o conteúdo” e lançar uma loja virtual com produtos com as peças gráficas, que imitam a capa de um jornal imaginário, através do Catarse.


Além de ACAPA, que surgiu de iniciativa entre jornalistas que decidiram criar numa espécie de "jornal sem jornal", sem páginas ou editorias, em apenas uma única peça, surgida da síntese dos fatos, e está somente no mundo digital (através do Facebook, Instagram e Twitter), outras iniciativas que estão em andamento ou já encerraram ajudam a ilustrar o crowdfunding no Brasil: Le Monde Diplomatique Brasil; Intercept Brasil; Periferia em Movimento; Fiquem Sabendo; AzMina; Ponte.


Crédito:Arquivo pessoal
*Fernanda Iarossi é jornalista, Mestre em Comunicação Midiática pela UNESP – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Neto. Professora nos cursos de Comunicação da UAM – Universidade Anhembi Morumbi e Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação e em São Paulo. Coordenada o Grupo de Pesquisa Discursos Midiáticos na Fapcom.

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