Opinião: “Boleiragem e Grande Círculo, dois golaços na programação esportiva”, por Wagner de Alcântara Aragão

Wagner de Alcântara Aragão | 21/05/2019 11:48

Crédito:Pixabay



A Rede Globo praticamente monopoliza as transmissões de futebol no Brasil, portanto é direito nosso - enquanto telespectador, torcedor, profissional, analista, cidadão - exigir cobertura de qualidade. Qualidade em técnica, em conteúdo, em pluralidade, em respeito a esse patrimônio cultural nacional que é o futebol.


Só que há equívocos que permeiam as transmissões e coberturas de jogos pela emissora, como o caso Sidão. Para quem não acompanhou, um resumo: Sidão, goleiro do Vasco, teve atuação desastrosa na partida contra o Santos, no domingo do Dia das Mães (12 de maio). Na eleição de “craque do jogo”, que a Globo faz pela internet, o arqueiro foi o que recebeu mais votos. Mesmo assim, o “prêmio” foi entregue ao jogador - um constrangimento imposto ao atleta.

Por outro lado, e é nisso que este texto quer focar, vem da mesma Rede Globo - particularmente do seu canal esportivo na televisão por assinatura (o SporTV) dois (também recentes) - exemplos de como ainda é possível colocar no ar conteúdo construtivo, engrandecedor, inteligente. Refiro-me ao Boleiragem e ao Grande Círculo. Ambos programas de entrevistas, porém com propostas e dinâmicas diferentes; ambos, enriquecedores.


Boleiragem, como o nome entrega, é um bate-papo com e entre boleiros. Comandado pelo comentarista e ex-meia Roger Flores, o programa reúne jogadores aposentados, que foram craques de bola e hoje são bons de conversa também. Relembram causos, fazem confidências, tiram sarro um do outro… É a roda de vestiário trazida para as câmeras de televisão. Roger Flores conduz com maestria e, até agora, apresentou convidados que deram show. Um misto de entretenimento e jornalismo, bem dosados e temperados.


Grande Círculo, por sua vez, segue uma linha “Roda Viva”. Um nome emblemático do esporte (já passaram por lá Tite, Vanderlei Luxemburgo, Tite, Galvão Bueno, Andrés Sanchez) é sabatinado por jornalistas e comentaristas, tanto da Rede Globo como de outros veículos. Aliás, é de enaltecer essa abertura de portas a profissionais de canais concorrentes. No programa com Galvão Bueno, por exemplo, uma das entrevistadoras foi a jornalista Renata Fan, da Band – quem, por sinal, está à frente de outro espetacular programa esportivo, o Jogo Aberto (sobre o qual poderemos tratar em artigo futuro).


Boleiragem e Grande Círculo resgatam o melhor da crônica e do jornalismo esportivo. E vale ressaltar que os dois programas têm linguagem audiovisual, estrutura narrativa e discursos contemporâneos. Em outras palavras: para ser um programa atual, antenado, descolado, não é preciso ser cheio de gracinhas, brincadeirinhas, entre outras práticas que infantilizam e idiotizam o futebol. O que o público quer é conteúdo. Com leveza, mas consistência. Com descontração, porém seriedade. Não é?


Crédito:Arquivo pessoal

*Wagner de Alcântara Aragão é jornalista e professor de disciplinas de Comunicação na rede estadual de ensino profissional do Paraná. Mestre em Estudos de Linguagens (UTFPR). Mantém um site de notícias (www.redemacuco.com.br) e promove cursos e oficinas nas áreas de Comunicação e Cultura, sobre as quais desenvolve pesquisas também.


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