Debate sobre a democratização da informação e a liberdade de imprensa em tempos de radicalismo

Marina Magalhães Cardoso, estudante da Faculdade Anhanguera de Brasília | 15/05/2019 13:55

Antecipando os debates do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a Revista e Portal IMPRENSA promoveram o 11º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia, no dia 2 de maio, na sede da OAB-DF, em Brasília, com o tema Liberdade de imprensa em tempos de radicalismo. IMPRENSA reuniu jornalistas, especialistas e autoridades para os debates.

Crédito:Carlos López


O presidente da OAB/DF, Délio Lins e Silva Junior, abriu o evento destacando a parceria entre a imprensa e a advocacia. “A imprensa e advocacia têm muito a fazer juntos, além de fazer a junção desses profissionais, tentamos auxiliar no “juridiquês” para que a justiça seja feita. E ao parabenizar o tema escolhido para o fórum, destacou que “é realmente inadmissível aceitar censura prévia. Censura prévia não condiz com a Constituição Federal, que está em vigor em nossos país. Não podemos nos calar”.


Flávio Lara Resende, conselheiro da ABERT e diretor-geral do Grupo BAND em Brasília, afirmou que “a liberdade de imprensa é uma conquista da sociedade, para a própria sociedade”. Ao lembrar que em tempos de internet e redes sociais o volume de informações foi ampliado de forma incontrolável, ressalta que “mais do que nunca, é preciso separar o que é real do que é falso... Jamais o jornalismo livre e profissional foi tão importante como elemento certificador da verdade, da responsabilidade e da democracia”.


Sinval de Itacarambi Leão, diretor da IMPRENSA Editorial, destacou a “bolha antidemocrática’’ deste desafio que é a liberdade de imprensa. “Medo e ódio. Tempos de polarização. Essas designações são fortes para rotular os dias atuais. A democracia brasileira é jovem, tem apenas trinta anos, e já se vê sitiada por conjunturas sociais e políticas. O Brasil, hoje, é atacado por bolhas antidemocráticas, também presentes em todos os continentes e em todos os extratos da população mundial’’. E reforça a relação entre liberdade e democracia. “No estado de direito das democracias modernas, verdade e liberdade são dialeticamente complementares. Relatar os fatos para a sociedade, informar o cidadão e o leitor, é direito nato que ninguém pode abdicar, nem o jornalista negar”.

Crédito:Larissa Cosmo dos Santos




A liberdade de imprensa e as relações entre legislativo, judiciário e jornalismo


A conferência de abertura do fórum foi conduzida por Murillo de Aragão, presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional. Conferência foi mediada por Flávio Lara Resende, conselheiro da ABERT e diretor-geral do Grupo BAND em Brasília, e Sinval de Itacarambi Leão, diretor da IMPRENSA Editorial.


O respaldo jurídico para jornalistas é necessário em tempos de radicalismo. “Sem liberdade de imprensa não há jornalismo. Sem judiciário e sem legislativo tampouco a liberdade de imprensa e o jornalismo podem ser exercidos”, afirmou Murillo de Aragão.

Crédito:Larissa Cosmo dos Santos


Segurança dos jornalistas: o equilíbrio entre liberdade, segurança e responsabilidade


O segundo painel foi moderado por Cristiana Lôbo, comentarista da GloboNews, e contou com as presenças de Emmanuel Colombié, diretor América Latina da Repórteres sem Fronteiras, Juvenal Araújo, subsecretário de Direitos Humanos da Sejus/DF, Manuel Martinez, correspondente pela agência Xinhua (China) e rádio El Espectador (Uruguai), Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil e conselheiro do CGI.br.

Crédito:Carlos López
Emmanuel Colombié, diretor América Latina da Repórteres sem Fronteiras


Em entrevista após o painel, Emmanuel Colombié, da Repórteres sem Fronteiras, falou sobre a importância da realização do evento. “É importante o debate público sobre a liberdade de imprensa, pois estamos vivendo um momento em que precisamos disso. E o assunto não é suficientemente debatido. Isso tanto no Brasil quanto em outros países. É muito importante um espaço para o debate público dos jornalistas e a sociedade civil. É importante difundir isso”.

Ao ser perguntado sobre qual seria o caminho agora, neste cenário de radicalismos, Emmanuel  responde: “É fazer um ótimo trabalho. Fazer investigação. É importante estar seguro também. Mas agora é lutar pela informação de qualidade”.


Veja aqui a apresentação de Adauto Candido Soares, coordenador de Comunicação e Informação da UNESCO no Brasil, que antecedeu o debate sobre segurança dos jornalistas. Palestra colocou em discussão o número crescente de profissionais que foram mortos ou ameaçados por exercer a profissão, a serviço da informação.


Promovido pela Revista e Portal IMPRENSA, esta edição do fórum conta com o patrocínio da ABERT, apoio da OAB-DF, e apoio logístico do Insper. Além do apoio institucional da ABI, Abracom, Abraji, ANER, ANJ, Associação dos Correspondentes Estrangeiros, Instituto Palavra Aberta, OBCOM/USP, e Repórteres sem Fronteiras, e apoio de mídia da Agência Radioweb e do JOTA. Confira no site do evento a galeria de fotos, notas de cobertura e materiais relacionados. 


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