Opinião: “Produção literária esportiva, um ramo bacana de seguir”, por Leandro Massoni

Leandro Massoni | 26/04/2019 22:16

Crédito:Marcelo Cardoso

Produzir um livro, escrevê-lo e vê-lo após sua concepção é sem dúvida um prazer imensurável para quem deseja ver seu “filho” ganhando espaço tanto as prateleiras do mundo (e das livrarias) quanto na boca do povo que a deseja ver e consumá-la o quanto antes. Foi assim que me senti após ver minha primeira obra, “Nacional - Nos Trilhos do Futebol Brasileiro” (Editora Casa Flutuante), lançada em fevereiro passado, pronta e ganhando cada vez mais admiradores, que continuam a seguir as informações referentes ao projeto, que são postadas nas redes sociais. E tudo isso deve-se a muito empenho na divulgação, que é a porta de entrada para o sucesso de um trabalho impresso.


Foi através dos meios que eu possuía maior contato (Facebook e Instagram) que consegui colocar em prática um plano de marketing baseado naquilo que o meu livro tinha de melhor para oferecer a um determinado público. Mas antes de chegarmos nesta parte, gostaria de contar, resumidamente, sobre como ocorreu todo esse processo de produção da obra.


O meu livro-reportagem nasceu de um convite em 2012, após um TCC de jornalismo, que consistia em um documentário acerca do clube situado na região da Barra Funda, em São Paulo. O vice-presidente se interessou tanto pela dedicação minha e de um outro colega que resolveu nos estender o desafio de transformar o trabalho em um livro. Daí em diante, ocorreram mudanças e andanças em nossas vidas. Em um momento, vista a desistência de meu colega, colocamos o projeto em “stand by”. Contudo, em 2017, achei necessário ressuscitá-lo em vista da proximidade do centenário da agremiação paulista daqui a três anos.


Então, a primeira tarefa foi listar os possíveis entrevistados (alguns tiveram que ser “reentrevistados”, o que foi até melhor, uma vez que os relatos estavam ainda mais frescos), lugares além do clube e espaços em que poderia fazer pesquisas de arquivos sobre a São Paulo Railway, a primeira companhia ferroviária do país, e a relação com o futebol e o surgimento do SPR Athletic Club, que viria a se chamar Nacional Atlético Clube em 1946, devido à entrega da ferrovia ao Governo Federal naquele mesmo ano.


Para isso, criei uma tabela estipulando “nome”, “data”, “hora”, “local” e “status” (a ser entrevistado, foi entrevistado etc.) para não me embananar com as informações, mesmo porque eram muitas! Também fiz o mesmo com os lugares, nos quais agendava a data, o horário e quanto tempo teria para fazer minha pesquisa no espaço.


Encerrada a parte da produção do livro-reportagem, que basicamente compreende em seleção de fontes/lugares para pesquisar, escrita, diagramação e impressão (essas duas à cargo da editora e de uma gráfica, respectivamente), chegava o momento de “colocar a boca no trombone”, ou seja, espalhar meu projeto e o nome do Nacional pela mídia. E novamente, fiz uma nova seleção, desta vez de agências, portais de notícias e até blogs ou canais no YouTube que possivelmente topariam expor em seus canais um release ou até uma entrevista comigo acerca do livro-reportagem.


O melhor disso tudo foi ainda contar com o auxílio de amigos. No meu caso, o pessoal da Ato Cultural, que se dispôs a me ajudar divulgando os lançamentos do livro e a me ensinar algumas estratégias básicas para impulsionar publicações de postagens e eventos contendo informações, curiosidades e notícias sobre a obra. O conteúdo, na verdade, foi criado por minha conta e risco, e deu certo (aliás, vem dando certo), pois queria atingir uma fatia de pessoas que gostassem de história do futebol brasileiro, ao mesmo tempo que apreciam fatos relacionados a assuntos diversos que possuíam ligações com os temas discutidos no projeto.


Nos impulsionamentos das postagens e da própria página do livro no Facebook, efetuados com quantias mínimas de dinheiro, por exemplo, busquei alinhar dados como assuntos e gostos do meu público, faixa etária e o raio de distância que pretendia atingir com minhas publicações, a fim de criar um considerável envolvimento dos usuários e chamar a atenção de outros para visualizar, curtir e compartilhar as postagens feitas na rede social.


Esse é somente um pequeno passo a passo que costumo explicar em algumas palestras que venho fazendo em algumas faculdades (também frutos da divulgação do livro do Naça) de quais estratégias utilizei para fazer meu livro-reportagem chegar o mais longe possível. No geral, é preciso “quebrar a cabeça”, estudar seu público-alvo e saber o que você deseja com sua obra. O mercado de livros sobre esportes e jornalismo esportivo sobrevive hoje graças a muitos escritores que, em sua maioria, são independentes, já que buscam ou estão sempre indo atrás de formas de divulgar seus projetos que sejam mais compensatórios.


Em suma, tendo uma boa ideia lapidada na tela de seu computador, uma editora que aceite publicar seu livro-reportagem, uma gráfica competente e que entrega no prazo certo, o uso dos quatro “Ps" (preço, praça, produto e promoção, bem nesse esquema marqueteiro) e uma divulgação certeira nas redes sociais é praticamente mais do que meio caminho andado para o sucesso de seu trabalho. Há mercado para todos, basta querermos descobrir as melhores alternativas e seguirmos adiante.


Crédito:Arquivo pessoal
Sobre o autor: Leandro Massoni é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e pós graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias pela Anhembi Morumbi. É também radialista pela Radioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Jornalista em Campo. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão, e lançou em 2019 o livro "Nacional: nos trilhos do futebol brasileiro".

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