Opinião: "Era da informação para era da reputação", por Fernanda Iarossi

Marcas criam espaços para desmentir fake news – estratégia é preservar a imagem junto ao público, diante de boatos ou mentiras espalhados especialmente via redes sociais ou WhatsApp

Fernanda Iarossi | 18/04/2019 16:34

Crédito:Pixabay



Ainda na esteira dos boatos e “meia mentiras” a preocupação com o espalhamento rápido, via redes sociais ou WhatsApp, de informações errôneas, também pega as instituições públicas e privadas, que decidem montar diferentes estratégias para esclarecer os rumores e informar. Não só os meios de comunicação têm buscado iniciativas para corrigir e desconstruir fatos que deturpam a realidade.


Normalmente, tais entidades apropriam-se da estética e do formato comuns da prática jornalística com notícias, reportagens, tira dúvidas, entrevistas, opinião de especialistas e formadores de opinião para montar um recurso que faça frente às fake news.


Exemplo é a Coca-Cola através do #Éboato na Coca-Cola Journey, revista digital da marca no Brasil.


Na página, o internauta encontra respostas da companhia sobre o que chamam de “mitos e boatos”, no estilo do que fazem as agências de checagem ao investigarem (inclusive hiperlinkam os conteúdos quando estas o fazem, como em Coca-cola e Mentos no e-Farsas).


Além disso, reúne um grande banco de perguntas e respostas e oferece um buscador que permite separar tipo de conteúdo, tópicos, tags e data, como uma espécie de “Google interno”.


Na esfera pública, o exemplo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), do Governo Federal para o financiamento e investimento nos segmentos da economia brasileira. O banco tem a página É Fake, que até o final de 2018 reunia vídeos e postagens nas redes sociais institucionais que ajudavam a prestar contas e explicar boatos espalhados. Há também o Menu Transparência, com as operações que o banco realiza, em recursos multimídia.


São iniciativas que mostram que equipes de comunicação bolam projetos digitais para combater, a partir dos interesses privados das marcas e instituições, fake news. Uma área também interessante como objeto de estudo para pesquisas que mapeiam, no cenário digital, as (r)evoluções da era da informação para era da reputação.


Crédito:Arquivo pessoal
*Fernanda Iarossi é jornalista, Mestre em Comunicação Midiática pela UNESP – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Neto. Professora nos cursos de Comunicação da UAM – Universidade Anhembi Morumbi e Fapcom – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação e em São Paulo. Coordenada o Grupo de Pesquisa Discursos Midiáticos na Fapcom.

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