"Jornalismo e YouTube: o melhor dos dois mundos", por Amanda Ferreira Medeiros

Artigo vencedor do Foca na IMPRENSA (março 2019)

Amanda Ferreira Medeiros | 16/04/2019 17:06

Tema: Jornalismo e Youtube

Autora: Amanda Ferreira Medeiros é estudante de jornalismo na Universidade do Sagrado Coração, em Bauru (SP)

Crédito:Pixabay


O Brasil superou a marca de um celular por cidadão, segundo pesquisa de 2018 feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O dado afeta o Jornalismo, uma ciência que se molda constantemente a fim de disponibilizar conteúdo em formatos acessíveis. E foi aproximadamente nos anos 2000, com o advento da internet, que os meios de comunicação clássicos sentiram a pressão. As emissoras de rádio passaram a veicular sua programação na web. Os jornais impressos e revistas possuem sites e publicam notícias diariamente. Não é mais necessário esperar o dia seguinte ou até mesmo meses para consumir informação. E a televisão teve que administrar sua programação com os serviços de streaming.


Além dessa adaptação, a internet trouxe consigo a criação de novas plataformas de disponibilização de conteúdo, uma delas, o YouTube, criado em 2005. Nele, é possível compartilhar vídeos e interagir com os usuários. No início, a maioria dos produtores eram amadores. Contudo, esse cenário se transformou.


Em 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) desregulamentou a profissão de jornalista: não é necessário obter o diploma para atuar na área. Em 2014, foram registrados 499 desempregados de acordo com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais. Em 2015, esse número chegava a 726, ainda segundo o sindicato. Como se não bastasse, em 2017, a Band demitiu cerca de 80 profissionais. Em 2018, o grupo Abril iniciou sua recuperação judicial e 100 funcionários também foram mandados para casa. Logo, tendo em vista esses números, por que não criar um canal no YouTube? Afinal, é uma plataforma híbrida, gratuita e intuitiva.


A proposta agradou os jornalistas. Munidos dos conhecimentos técnicos adquiridos no ambiente acadêmico e profissional, a liberdade de expressão construída em uma plataforma administrada por quem produz o conteúdo é uma alternativa para o desemprego.


Em comparação com a imprensa tradicional, o jornalista possui maior autonomia e consegue desenvolver projetos com maior facilidade, uma vez que o YouTube não apresenta tantos impasses burocráticos quanto as emissoras de televisão. Ademais, o novo modelo de negócio, que surge com o crescimento exponencial de plataformas de streaming como a Netflix, indica que os meios de comunicação clássicos terão que se readaptar e sugere que o YouTube é uma vertente em ascensão.


Todavia, os jornalistas atuantes no YouTube encontram resistências que impedem, por hora, que seu trabalho seja visto com outros olhos. Ainda há o preconceito de que o conteúdo não é produzido com seriedade, a apropriação de formatos já existentes como os programas de entrevista, e a crença de que apenas a televisão oferece conteúdo jornalístico audiovisual de qualidade.


Se os profissionais da comunicação que atuam em seus próprios canais no YouTube estão alicerçados em preceitos éticos e jornalísticos, que mal há em olhar na contramão do óbvio? Até porque no Jornalismo morre-se de tudo, menos de tédio.


Leia também

Ana Amélia Lemos e Murillo de Aragão estão confirmados para o Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia, no dia 2 de maio

Inscrições abertas para o Intercom 2019, que vai debater os fluxos comunicacionais e a crise da democracia

Monografia sobre a série “Once Upon a Time” avalia comportamento da audiência perante os produtos midiáticos