Opinião: "Negligência, omissão e impunidade", por Daniela Barbará

Daniela Barbará | 13/02/2019 12:08
Levantamento inédito feito pelo jornal O Globo, revelou que pelo menos 1.774 pessoas morreram ao longo de 12 anos em tragédias que poderiam ter sido evitadas. “Foram desastres de avião, enchentes, desabamentos, naufrágios e diversos outros incidentes que talvez não tivessem ocorrido se regras de segurança e leis tivessem sido cumpridas. Além da negligência de agentes públicos e privados, a impunidade é outra marca dessa estatística. Nenhum dos processos a respeito de tragédias acontecidas desde 2007 resultou em condenação dos responsáveis”.

Aí você pode pensar: Mas como assim tragédia? Que tipo de tragédia? Acidentes aéreos, desabamentos, incêndios e naufrágios. Veja o que mais aponta o jornal: “Um histórico de negligência, omissões e impunidade une grandes tragédias ocorridas no Brasil nos últimos 12 anos aos desastres que causaram, recentemente, a morte de 182 pessoas na barragem de Brumadinho (MG), nas chuvas do Rio de Janeiro e no incêndio do Centro de Treinamento do Flamengo. A lista inclui ainda o rompimento de uma barreira de contenção de rejeitos de minério em Mariana (MG), em 2015; o incêndio na Boate Kiss em Santa Maria (RS), 2013; o desabamento do edifício no Largo do Paissandu, em São Paulo, no ano passado, entre outros”.

A pior parte ainda está por vir. “Embora tenham deixado milhares de vítimas, essas tragédias não geraram uma única condenação na Justiça até hoje”, destaca a matéria. Não existe uma estatística oficial sobre falhas humanas no envolvimento de crises, mas sabe-se que são altos os índices de erros humanos em manuseio de maquinário, liderança de operações, desenvolvimento de relatórios; ainda mais em um país da mais valia, das vistas grossas, de situações cotidianas em que se fala uma coisa e escreve-se outra. Como resultado temos apenas negligência, omissão e impunidade.

Mas como tudo tem dois lados: é notório que executivos da área de comunicação e das agências de comunicação estão trabalhando muito para treinarem suas equipes e seus clientes na busca de um impacto negativo menor em suas reputações e marcas e, consequentemente, melhores times de gestões de crises.

Em seu recente artigo: A tragédia sem rosto da Vale é gestão de crise nota 10, Mario Rosa declara que “Por mais nefastos que tenham sido os acontecimentos e dolorosos os seus impactos, a gestão de crises de comunicação nessas horas é uma doutrina das relações públicas que procura estabelecer um objetivo palpável e factível dentro da circunstância que normalmente é sempre a pior possível. E os condutores desse processo, os profissionais à frente do caso, sem dúvida nenhuma, estão alcançando uma proeza que não é pequena. Ao contrário. A gestão de crise de comunicação da Vale tem conseguido, em meio a toda a dor, lama e morte, fazer o mais difícil nessas horas parecer um detalhe despercebido: a crise não tem cara”.

Em seu texto publicado no dia 11 de fevereiro de 2018, Rosa complementa ainda “... Basta comparar a tragédia da Vale com o mais recente de nossos suplícios, a tragédia do Flamengo. A cara do presidente do clube já está sendo exposta, cobrada, potencialmente massacrada, na dinâmica cruel e perversa de sempre. Uma vida humana é única e, assim, incomparável. Não há contas quando se trata de perdas de vidas. Mas a tragédia da Vale ceifou 30 vezes mais vidas que a do Flamengo. E conseguiu o incrível feito de continuar sem rosto. Um dos mais competentes casos de relações públicas que eu vi (vi, pois não tenho qualquer relação com ele) em minha carreira como consultor de crise)”.

Crédito:Arquivo pessoal
Sobre a autora: Minha base profissional veio do jornalismo econômico impresso e online. Depois entrei no setor de comunicação corporativa e nunca mais parei. Parte do meu trabalho nos últimos anos foi encontrar oportunidades de levar a comunicação dos meus clientes aos seus públicos-alvos da melhor forma possível, sempre com o alinhamento de comunicação e de expectativas. Durante três anos intensos da minha vida trabalhei com aviação civil e aprendi na prática a arte do gerenciamento de crise e de viajar à trabalho. Acredito que a boa comunicação é capaz de mudar o mundo, as empresas e as relações entre pessoas. Há mais de vinte anos trabalho com comunicação das mais diversas formas. Participo há alguns anos do Comitê de Capital Humano na Câmara Sueca. Atuo há mais de quatro anos voluntariamente como coordenadora do Grupo de Trabalho de Recursos Humanos da Abracom. Ministro palestras, aulas e workshops sobre Gerenciamento de Crise e Assessoria de Imprensa para interessados no tema e alunos de graduação e pós-graduação. Dúvidas? Me escreve: danielabarbara2012@gmail.com

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