“É importante que o TCC contribua não só para o jornalismo, mas para a sociedade”, afirma Paloma Vasconcelos

Redação Portal IMPRENSA | 22/11/2018 08:30
Paloma Vasconcelos é repórter de gênero e LGBT na Ponte Jornalismo. E a conquista de se tornar repórter especialista neste segmento veio por meio do TCC. “Desde o começo da universidade, eu enxerguei no TCC uma porta importante para entrar de fato no mercado de trabalho”, lembra Paloma, que se formou em jornalismo pela FIAM FAAM em 2017 e comenta aqui os bastidores do desenvolvimento de seu livro-reportagem. 
Crédito:Montagem de imagens / Divulgação Editora Casa Flutuante

Sobre o livro-reportagem

O "TRANSRESISTÊNCIA: Histórias de pessoas trans no mercado formal de trabalho" nasceu da necessidade de falar sobre a inclusão de pessoas transexuais e travestis no mercado de trabalho, levando em conta um triste dado da ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) que comprova que 90% dessas pessoas ainda recorre à prostituição para sobreviver. Também foi levado em consideração o fato de que, até pouco tempo, a mídia focava apenas em casos de violência e, em muitos casos, não havia o respeito pela identidade de gênero e uso adequado do nome social.

Principais desafios ao longo da produção

O maior desafio foi encontrar dados que não fossem de violência, pois o IBGE não inclui pessoas trans em sua amostragem e isso dificulta muito a mensuração de quantas pessoas T existem no Brasil e sobretudo em São Paulo, cidade foco do projeto. Em segundo lugar, destaco a dificuldade de encontrar os entrevistados, por conta, principalmente, da ausência dessas pessoas no local de trabalho.

Os aprendizados

O principal aprendizado foi perceber o quanto o jornalismo precisa olhar para as minorias de forma mais humanizada, mostrando quem é aquela pessoa que se busca ampliar a voz e respeitando as diferenças. Apesar de ser LGBT, eu nunca tinha tido tanta proximidade com outras vertentes do movimento do qual faço parte e isso foi muito enriquecedor. Por conta do meu TCC, hoje sigo no jornalismo cobrindo exatamente a editoria de gênero e LGBT na Ponte Jornalismo.

Significado dessa experiência

O TCC foi um divisor de águas na minha vida. Ele foi feito em um momento pessoal muito difícil, minha mãe estava em depressão e veio a cometer suicídio menos de um mês depois da minha banca de apresentação, então foi um desafio diário lidar com tudo e finalizar o livro-reportagem. Ao mesmo tempo, também foi enriquecedor e me fez repensar muita coisa, além de gerar dúvidas sobre o meu próprio gênero durante a produção do projeto. Desde o começo da universidade, eu enxerguei no TCC uma porta importante para entrar de fato no mercado de trabalho e assim foi: usei toda a minha energia para fazer um bom material e, assim, conseguir entrar na Ponte.

Contribuições que o trabalho trouxe 

Me tornar uma repórter especialista no segmento foi a maior contribuição, não só na Ponte, mas também na Agência Mural. Fui convidada para participar de alguns eventos também, por conta do bom desempenho do meu TCC e do trabalho que pude começar a construir depois nesses dois veículos citados acima.

Conselhos para quem está fazendo o TCC

O melhor conselho é acreditar no projeto e fazer de tudo para que ele seja o melhor possível. Além de ser o encerramento de um ciclo importante, ele é a porta de entrada para algo maior, que é o mercado de trabalho. As dificuldades serão imensas, mas a persistência vai ser a maior aliada nesse momento. Então, acreditar em si e no projeto é fundamental para enfrentar as dificuldades e fazer um trabalho que contribua não só para o jornalismo, mas também para a sociedade.

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