“A função principal do jornalismo é contar histórias”, lembra Jessica Tamyres dos Santos

Redação Portal IMPRENSA | 14/11/2018 12:55
“Eu me graduei em Jornalismo na querida e saudosa FAPSP (Faculdade do Povo) em 2014, um ano antes da faculdade ser fechada”, conta a jornalista Jessica Tamyres dos Santos, ao compartilhar com o Portal IMPRENSA a sua História de TCC. 

Unidas pela paixão de contar histórias, Ana Lúcia Tibaldi, Cristiana Leite, Daniela Gualassi, Silvania Vitor, Rosana Skyrda e Jessica decidiram falar sobre a vida dos ferroviários da Vila de Paranapiacaba, pertencente ao munícipio de Santo André/SP. Uma vila inglesa, marcada também pelas ruas estreitas de paralelepípedo, seu estilo vitoriano, e as construções em madeira. Confira abaixo a entrevista.
Crédito:Arquivo pessoal


Sobre o trabalho

Memória e ferrovia sempre foram temas sobre os quais a gente trabalhou ao longo do curso, fossem unidos ou separados nos mais diversos formatos jornalísticos. Foi aproveitando o conhecimento adquirido sobre esses dois temas, e somando-o com nossa paixão por contar histórias, que decidimos falar sobre a vida dos ferroviários da Vila de Paranapiacaba, delimitando-nos a observar as consequências da privatização da RFFSA (Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima) no final dos anos 90 na vida dos trabalhadores e seus familiares. 

Assim nasceu o documentário e a monografia “E agora, a rede sumiu: histórias dos ferroviários de Paranapiacaba e da Privatização da RFFSA”. Foram entrevistadas cerca de 15 pessoas, gerando um vídeo de 40 minutos totalmente produzido, gravado e editado por nós com o auxílio do nosso colega Vitor Cruz, que se voluntariou a trabalhar na parte “braçal” da edição. 

Como era uma exigência da faculdade, produzimos também uma extensa monografia na qual nós apresentamos todo o contexto histórico e econômico de como as ferrovias foram construídas, a vila se criou, e o processo de criação e privatização da RFFSA.  


Principais desafios ao longo da produção

Como todo trabalho, enfrentamos alguns desafios de intensidades diferentes. Encontrar um tema que nós seis gostássemos e transformá-lo tanto em produto jornalístico quanto em produto acadêmico foi o primeiro. Reuniões entre nós e depois com os professores foram necessárias antes de decidirmos.
 
Uma vez estabelecido o assunto, pensamos em como separar as tarefas conforme as afinidades e habilidades de cada uma. Foi um desafio porque tentamos trabalhar para que todas estivessem fazendo o que gostavam e, sobretudo, que todas participassem do processo de produção. Essa opção acabou gerando um ambiente produtivo e eficaz. 

Aprender a operar uma câmera profissional também foi um desafio. Queríamos captar tudo com o nosso olhar, consciente do que precisávamos. Não era costume que alunos de Jornalismo aprendessem a trabalhar com um equipamento daqueles, mas nós nos interessamos e aprendemos.
Crédito:Arquivo pessoal
Equipe do TCC

Os aprendizados

Pessoalmente, ao longo desse trabalho, cuja produção durou todo ano de 2014, eu pude aprender mais sobre como as decisões dos poderosos, sejam políticas ou econômicas, afetam a vida do “chão de fábrica”, da população em geral. Acabei observando que a História pode ser contada para além dos gabinetes e palácios, ela pode ser contada a partir da rua, das casas, das famílias.
 
Com relação ao tipo de produto escolhido, o documentário, acabei descobrindo-o como uma forma de também fazer jornalismo. Sempre fui, e ainda sou, uma grande apaixonada pela palavra escrita e seu poder, mas consegui enxergar uma alternativa, uma possibilidade de se contar uma história. 

O significado dessa experiência

Acho que essa experiência demonstrou o quanto eu absorvi da faculdade e de todo o contato com meus colegas de curso, meus professores e os jornalistas que conheci ao longo do caminho. É um pensamento que me acalma, pois tenho certeza que foram quatro anos que valeram muito a pena.
 
Pessoalmente, o TCC solidificou a minha crença de que a função principal do Jornalismo é contar histórias da melhor forma possível. Alguém pode falar que a função é outra, talvez mais social, mais ativista, mas ao contar um fato trazendo seus personagens, você registra um acontecimento, uma história sob diferentes pontos de vista e, ao ser divulgada, podem ter diversas consequências. Mas elas não são a finalidade da atividade.

Contribuições que o trabalho trouxe

Talvez eu não tenha contribuições profissionais a demonstrar, mas os laços que criei tanto com minhas companheiras quanto com meus professores ainda são o que carrego de mais importante. Além disso, há a mudança do meu olhar com relação ao impacto na população causado pelas decisões políticas. Acho que esse trabalho fomentou minha capacidade analítica e crítica. 

Conselhos para quem está fazendo o TCC 

Começaria pela escolha do tema, que deve ser a harmonia entre assuntos que atraiam o estudante e conhecimentos adquiridos na faculdade. Acreditem, é mais gostoso quando você alia essas duas coisas, o caminho fica um pouco mais fácil quando temos afinidade com o assunto. 

Poderia falar sobre a escolha dos parceiros de trabalho, manutenção do diálogo aberto com o orientador ou ainda sobre a dedicação quase sobrenatural que devemos ter durante esse período (dê adeus para sua vida social e familiar, depois tudo se resolve, garanto), mas vou resumir tudo em uma palavra: paixão. É, soou piegas, eu sei, mas ela ajuda pra caramba na hora que bate a vontade de jogar tudo para o alto. A paixão vai fazer você desejar que seu trabalho seja o melhor daquilo que você pode produzir e, por consequência, vai ligar a chavinha do empenho, da motivação, tão necessários nesse momento. 

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