Opinião: "O que deve ser levado em conta para fazer jornalismo esportivo?", por Leandro Massoni Ilhéu

Leandro Massoni Ilhéu | 14/11/2018 11:14
Nem só de futebol vive o homem, sobretudo, o jornalista esportivo, uma vez que existem muitas outras modalidades. E por meio delas podemos ter o privilégio de um dia trabalhar e conviver com os demais profissionais, muitos de renome na área. Estas ideias, extraídas do livro “Jornalismo Esportivo”, de Paulo Vinícius Coelho*, o PVC, são vistas como necessárias para quem deseja aventurar-se na área.
Crédito:Pixabay

O jornalismo esportivo é considerado uma das profissões mais reconhecidas pelo mundo – embora não necessariamente por aqueles que a chefiam -, pois tem a responsabilidade de coletar e pesquisar temas da atualidade, a fim de divulgá-los ao público pelos diversos meios de comunicação massiva (televisão, rádio, jornais e revistas) e, sobretudo, pela internet (agências de notícias, portais e sites) e as redes sociais (Facebook, Twitter e Instagram).

A prática cotidiana do jornalismo, seja ele esportivo ou de qualquer outro segmento, deve-se ao fato de que o jornalista necessita saber:

- Como pretende planejar seu trabalho (a pauta, neste caso), assim como buscar e com quem conseguir as informações essenciais ou aquelas que podem levá-lo a descobertas que sejam interessantes.
 
- Distinguir as fontes que são viáveis ou não. 

- E, principalmente, conhecer seu público antes de transmitir a informação, ter clareza e precisão nos dados para não oferecer margem à questionamentos quanto a sua credibilidade como profissional de comunicação.

Contudo, as mudanças que “o fazer jornalismo esportivo” vem sofrendo ao longo dos últimos anos, mais precisamente em terras brasileiras, tem se tornado um dos grandes desafios para quem acredita nesta profissão como um elemento de transformação social dentro da sociedade consumista de informação.

Os programas televisivos de esporte, abertos ao público, propõem a proximidade e, por que não, a intimidade com o telespectador por meio de linguagens mais diretas e mescladas com um tom mais informal, porém, eles têm pecado em um aspecto: a credibilidade. Este fator é determinante, pois, assim como já dizia Fernando Pessoa, “um livro onde qualquer um escreve, torna-se um livro sem credibilidade”. Ou seja, as informações sem um trabalho mais específico de apuração e checagem, e “jogadas ao vento”, são vistas como irrelevantes e causadoras de polêmicas intermináveis.

Os debates (por vezes, nada) jornalísticos também são um dos problemas enfrentados na área. Em diversos casos, acompanhamos muitos de nossos colegas deixarem o lado profissional e partirem para o pessoal, o que pode ser classificado como vexatório. A verdadeira missão do comunicador está em fazer com que a notícia – divulgada por qualquer meio – chegue com objetividade ao telespectador, ouvinte ou leitor, e em algumas circunstâncias, transmita valores sociais.

Sobre este último tópico, do que pode ser enxergado como um valor social, analisamos a forma como o jornalismo esportivo poderia ser uma espécie de “escola”, no sentido de oferecer à sociedade e, de certa forma, aos jovens que a compõem, valores nos quesitos de comportamento, cidadania e educação. Este papel da área jornalística talvez seja fundamental, até mesmo para a formação de um futuro atleta ou profissional de comunicação.

Embora o esporte não tenha uma relação extremamente direta com a religião ou com a espiritualidade, penso que um dos conceitos de Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano, se encaixaria perfeitamente nesta linha de raciocínio: “mesmo que tenham filosofias diferentes, as religiões defendem valores semelhantes para a conduta ética e trazem a mesma mensagem de amor, compaixão e perdão”.

Neste caso, se fosse aplicado ao jornalismo esportivo, é possível explicar da seguinte forma: embora as metodologias ou linhas editoriais de cada agência ou veículo possuam valores diferentes, devem seguir o mesmo ideal, que é o de transmitir, na base da ética e da credibilidade, a notícia com transparência e exatidão em suas investigações.

Por fim, deixo esclarecido que o jornalista no âmbito esportivo, sem algumas destas características listadas, perde (e vem perdendo) um pouco da sua identidade perante ao público, que consome informação e  necessita de novidades para manter-se cada vez mais informado e conhecedor dos assuntos desta área. Ainda há muito a melhorar, se quiser continuar sendo eficaz para a sociedade consumista instantânea da informação.
 
*Referência Bibliográfica: COELHO, Paulo Vinícius. Jornalismo Esportivo. São Paulo. Editora Contexto, 2003. Que Conceito, Conceito de Jornalismo Esportivo. Disponível em: <http://queconceito.com.br/jornalismo-esportivo>. Acesso em 5 de dezembro de 2016.

Crédito:Arquivo pessoal
Sobre o autor: Leandro Massoni é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e pós graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias pela Anhembi Morumbi. É também radialista pela Radioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Jornalista em Campo. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão.

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