Fotojornalismo em Belém - a trajetória do grão ao pixel

Redação Portal IMPRENSA | 01/11/2018 11:56
A experiência de 18 anos como fotojornalista, passando pela transição do analógico ao digital, motivou Sidney Oliveira a analisar como se deu este movimento nas redações em Belém, no Pará. 

Sidney se formou este ano em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na FEAPA - Faculdade de Estudos Avançados do Pará e, em entrevista ao Portal IMPRENSA, fala dos bastidores do desenvolvimento do seu TCC. 
Crédito:Arquivo pessoal
Sidney Oliveira (ao centro) com os fotojornalistas Oswaldo Forte e Carlos Sodré, entrevistados para o documentário

Sobre o trabalho

O tema do meu TCC é “Do grão ao pixel: uma análise cartográfica sobre o fotojornalismo belenense entre os anos de 1999 a 2000”. Escolhi este tema porque atuo como fotojornalista há dezoito anos e passei pela transição do fotojornalismo analógico (grão) para o digital (pixel) no período mencionado. Tive dificuldades e preconceitos com a nova tecnologia, já que chegou de repente sem um treinamento prévio. Ou me adaptava ou perdia o emprego. Foram muitas as inquietações que tive e percebi isso nos fotojornalistas da redação também. 

Nesse contexto nasce o objetivo principal do trabalho: procurar saber quais são os possíveis impactos causados nos fotojornalistas belenenses no período da transição, entre os anos de 1999 e 2000. Só que além desse objetivo, surgiu a ideia de trazer à tona a história, a memória dos fotojornalistas de Belém, a raiz, os precursores, dar voz a cada um, já que é muito difícil encontrar na literatura registros sobre esses profissionais. Sobre os fotógrafos é mais fácil encontrar, mas sobre os fotojornalistas quase nada. Para incrementar, produzi um documentário no qual cada fotojornalista define o que é fotojornalismo e comenta o impacto sofrido na transição, segundo a sua bagagem cultural.

Desafios ao longo da produção

Foram vários os desafios e dificuldades. Um deles era encontrar material que falasse sobre a transição da tecnologia analógica para a digital. Como não encontrei, resolvi gravar vídeos com onze fotojornalistas – selecionei os que têm no mínimo dezenove anos de profissão, pois dessa forma teriam passado pela transição. Outra característica é terem tido experiência em jornalismo impresso no período da transição. Foi muito difícil conseguir agendar com todos, por isso comecei a gravar ainda em novembro do ano passado. 

O primeiro entrevistado foi o Osvaldo Santos, um dos profissionais que me ajudou a ingressar no mundo do fotojornalismo. Seu Osvaldo não pôde estar presente no dia da defesa, pois faleceu em abril deste ano. Foram gravadas praticamente cinco horas de vídeo, e na edição reduzimos para quinze minutos - essa foi outra etapa super desafiadora. Os livros não aprofundam sobre fotojornalismo, são muito superficiais. Não encontrei conceitos, discursos, textos que tivessem como base informações colhidas direto de fotojornalistas. Isso aguçou mais ainda a ideia de dar voz a estes profissionais e poder deixar um legado para outros pesquisarem.


Os aprendizados
 

Nossa, aprendi bastante. Percebi que quanto mais entrevistava os profissionais e fazia pesquisas, mais conhecimentos adquiria. Sem contar que tive o privilégio de trabalhar junto com todos os entrevistados por longos dez anos. Com alguns ainda trabalho. Aprendi a valorizar mais ainda os profissionais da “antiga”. E que devo ter mais paciência em fazer um registro, saber o que estou fotografando e a importância que isso tem para a sociedade, não que não soubesse antes, mas reforçou esta ideia.

Significado dessa experiência 

Como estudante, no início me perguntava qual a importância de fazer um TCC, já que havia lido tanto para as provas, tirado notas excelentes, e pensar que depois ainda teria todo o estresse para produzir um trabalho de conclusão de curso. Mas depois de feito e defendido, vi que é algo essencial. Adquiri muito conhecimento. Hoje tenho uma visão melhor sobre a importância de um trabalho científico para o profissional da área, porque tenho mais base não só na prática, mais teórica e científica do fotojornalismo e do jornalismo.

Contribuições que o trabalho trouxe

Uma das contribuições foi conhecer autores que falam de fotografia e algo de fotojornalismo desde o início do século XX, como Walter Benjamim até o século XXl, com André Rouillé. Apesar de uma considerável distância entre os dois, muitas ideias coincidiam sobre a fotografia. Hoje já posso falar de fotojornalismo com um embasamento bem melhor.

Conselhos para quem está fazendo o TCC

Meu conselho é que se dedique ao máximo, mergulhe de cabeça! Ir além é uma das coisas que faz a diferença. Deve lembrar que o TCC não é feito para si (apesar de ser inevitável que vai escrever sobre o que gosta), mas para outros estudantes e pessoas que se interessem pelo assunto. Hoje sinto um vazio, sinto que ainda tenho muito a aprender. Como dizia o filósofo Sócrates “só sei que nada sei”. Sinto isso. Quanto mais lemos, estudamos, percebemos o quanto ainda precisamos aprender. Quero fazer pós, mestrado.

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