Opinião: "Ai se minha avó estivesse viva", por Daniela Barbará

Daniela Barbará | 09/10/2018 16:22
Crédito:Arquivo pessoal
Se minha avó estivesse viva certamente diria que os tempos mudaram. Aliás, ela já falava isso há muitos anos quando as mudanças aconteciam de forma lenta e gradual. Hoje vivemos galopantemente as mudanças todos os dias e estamos escrevendo novos capítulos na história da política do país. Aquele quadro com grandes doações de empresas e pessoas físicas para candidatos não existe mais. Sim, elas continuam doando, mas em quantidades menores e diversificada. Da mesma forma, aqueles candidatos com amplo tempo televisivo para falar com seus eleitores não trouxeram resultados efetivos como vimos na noite do dia 7 de outubro de 2018. Isso porque os eleitores querem outra abordagem, em outros canais e esperam temas relevantes para seu cotidiano de seus candidatos. 

De acordo com as informações da pesquisa “A visão do profissional brasileiro de comunicação corporativa sobre as eleições 2018” realizada pela Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom), que ouviu empresários de agências associadas, em um universo de 190 empresas em todo o Brasil, os candidatos que ajustaram seu discurso para um tom mais radical, mirando na insatisfação do eleitor, estão sendo mais bem-sucedidos. Para 48,2% dos entrevistados, o candidato Fernando Haddad (PT) apresentou a campanha mais efetiva, considerando apenas aspectos técnicos da comunicação, sem levar em conta as próprias preferências eleitorais. Jair Bolsonaro (PSL) teve 37,9% dos votos.

Ainda de acordo com as informações da Abracom, divulgadas no dia 4 de outubro, os empresários de comunicação acreditam que as mídias digitais desempenham papel relevante na eleição, influenciando o eleitor. Para 65,5%, ações em redes sociais são agora mais importantes nas eleições do que o horário gratuito em rádio e TV. Os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) são considerados os mais eficientes na campanha pelas redes sociais.  Quando perguntados quais os três candidatos que se mostraram mais presentes e efetivos nessas mídias durante a campanha eleitoral, 79,3% dos entrevistados responderam Jair Bolsonaro (PSL), 79,3% Fernando Haddad (PT) e 41,4% indicaram João Amoêdo (Novo).

Os empresários de comunicação corporativa avaliam que o debate sobre diversidade (48,3%), o fortalecimento da democracia (37,9%) e da liberdade de expressão (31%) são os temas mais relevantes colocados em evidência pelo processo eleitoral.

*Daniela Barbará trabalha há vinte anos com comunicação corporativa. É formada em jornalismo pela FIAM com pós-graduação em Relações Internacionais pela FAAP. Em redações, passou pela Gazeta Mercantil, agência Dinheiro Vivo e outros veículos com maior ênfase em cobertura econômica. Durante três anos trabalhou com comunicação em aviação civil no Brasil e na América do Sul com a GOL, Varig e TAM. Atuou na equipe de gestão de crise da queda do vôo 1907 da Gol. Nos últimos oito anos é diretora de Operações da EVCOM, coordena voluntariamente o grupo de trabalho de RH da Abracom há quatro anos e é professora convidada para aulas sobre comunicação corporativa e gerenciamento de crise para cursos de graduação e pós-graduação.

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