Opinião: "O jornalista e a política nossa de cada segundo", por Leandro Massoni

Leandro Massoni | 05/10/2018 14:55
Crédito:Arquivo pessoal
Nesta época de eleições, manifestações a favor de “n” candidatos são diversas, principalmente nas redes sociais, nas quais milhares de pessoas podem ter seu espaço – ou bolha, como preferir chamar – para discutir e postar conteúdos relacionados aos seus postulantes e suas ideologias propagadas. O que não é ruim, pois o exercício da democracia vem sendo colocado em prática, mesmo que em muitos casos, de forma abrupta, com direito a ofensas impensáveis carregadas de palavras de baixo calão, que chegam a ultrapassar as margens do respeito para com a opinião alheia.

No mesmo campo, encontra-se o jornalista (esportivo ou de outras áreas), que é responsável por reportar o retrato mais fiel possível do panorama atual do cenário político e todos os acontecimentos que envolvem os candidatos aos cargos públicos. Contudo, tenho me perguntado nesses últimos dias se, por acaso, o profissional de comunicação pode ou não defender um lado ou ideologias que não correspondem ou fogem, em determinados momentos, dos princípios de suas empresas.

Antes de responder esta questão, quero deixar claro que é apenas uma opinião própria, formada a partir de estudos e observações dos comportamentos humanos diante da efervescência  que tem tomado conta da população brasileira engajada nos aspectos políticos defendidos por seus candidatos e partidos. 

A resposta, ao meu ver, é sim. O jornalista tem o total direito de expressar seu posicionamento político, quer seja na política ou em outros casos, desde que, sabendo que sua empresa, contratante de seus serviços e de opiniões distintas, não seja envolvida ou mencionada de forma pejorativa nos assuntos discernidos pelos profissionais do ramo comunicacional. Até porque, nesses tempos de “disse me disse”, é preciso se atentar, redobrar a atenção para não cometer deslizes. Uma vírgula inserida em um local indevido pode causar um “maremoto sem precedentes” que, em muitos casos, chega a ser desnecessário.

Sendo assim, eu defendo que devemos continuar a levantar nossas bandeiras e ideias para um país melhor, produtivo e sem corrupção, adequado e igualitário a todos os brasileiros, mantendo o respeito e discutindo, de forma racional e com argumentos contundentes, os pontos de vistas relacionados ao seu e aos candidatos de seus amigos, colegas e, porque não, desconhecidos, na intenção de elucidar dúvidas e indicar caminhos e alternativas que possam ser válidos para serem debatidos.

É papel do jornalista ser formador de opinião e conscientizar seu público, baseando-se na ética e no “valor notícia”. Conforme explica Mauro Wolf (1947-1996), sociólogo, professor e ensaísta italiano, acerca deste termo, é preciso saber quais acontecimentos são considerados suficientemente interessantes e relevantes para serem transformados em notícias. Ainda mais nessa era de (infelizmente) intermináveis “fake news”, é nosso dever considerar “as características substantivas das notícias: seu conteúdo”; “a disponibilidade do material e os critérios relativos ao produto informativo”; o público e a concorrência. Boas eleições a todos vocês!

*Leandro Massoni é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e pós graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias pela Anhembi Morumbi. É também radialista pela Radioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Jornalista em Campo. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão.

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