Análise da influência dos perfis de trânsito no dia a dia da sociedade paraense

Redação Portal IMPRENSA | 13/07/2018 13:08
O TCC de José Carlos Almeida da Rosa surgiu a partir de um projeto de pesquisa na iniciação científica que desenvolveu na Faculdade Estácio do Pará (Estácio FAP), durante o curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, que concluiu em 2017. 

Como usuário assíduo do Twitter, chamou sua atenção a influência dos perfis de trânsito na sociedade de Belém, que ocupa o 4° lugar no ranking das piores cidades para se dirigir no Brasil. 

Os bastidores do desenvolvimento deste TCC, você conhece aqui. 
Crédito:Arquivo pessoal
Professor Enderson Oliveira (orientador), José Carlos Almeida da Rosa, professor Diogo Miranda (banca) e professora Nélia Ruffeil (banca)

Sobre o trabalho

Meu trabalho de conclusão de curso "Pelas ruas de Belém: cibercultura, consumo e produção de conteúdo dos perfis de trânsito nas mídias sociais" aborda uma das principais problemáticas da capital paraense - o trânsito. De acordo com uma pesquisa recente feita pelo aplicativo móvel Waze, Belém ocupa o 4° lugar no ranking das piores cidades para se dirigir no Brasil. 

Como sou usuário assíduo do Twitter, comecei a perceber a produção de conteúdo e a influência que os perfis sociais de trânsito têm na sociedade belenense. A divulgação de informações sobre o trânsito, feita tanto pelos administradores dos perfis, como também por meio da colaboração dos usuários e seguidores dessas mídias, auxilia diariamente muitas pessoas a terem informações em tempo real sobre o trânsito na cidade.

Para o desenvolvimento da pesquisa, escolhi os dois perfis que possuem uma frequência de postagem diária e também têm um maior alcance e interação dentro da rede, o Belém Trânsito (@belemtransito) e o Belém Blitz (@belemblitz). Meu objetivo foi compreender a força que essas mídias alternativas têm no dia a dia dos indivíduos, e saber se de fato esses perfis conseguem cumprir seu papel dentro da sociedade paraense. 

Utilizei o estudo de caso como metodologia. Apliquei um questionário online, que contou com a participação de 356 pessoas, a fim de mapear os usuários ativos no ciberespaço que fazem ou não o uso das duas páginas no Twitter. Além disso, fiz também uma análise netnográfica dentro dos dois perfis, com o intuito de compreender o comportamento e as interações das pessoas nestas mídias. 

Mais do que uma simples escolha do tema de TCC, meu objetivo era conseguir abordar um assunto atual, problemático (que é o trânsito na cidade) e principalmente que viesse a agregar conhecimento tanto para a sociedade belenense, como também para a pesquisa em comunicação na Amazônia. 

Principais desafios ao longo da produção

Posso dizer que a parte mais trabalhosa foi fazer a análise netnográfica, porque precisei analisar e tabular mensagem por mensagem dentro dos perfis sociais de trânsito por um período de três meses. E como esses perfis têm uma grande produção de conteúdo e interações diárias, foi a parte que deu um pouco mais de trabalho.

Tive vários aprendizados durante esse período, mas acho que o principal foi entender que tudo é uma questão de planejamento e persistência. Como comecei a escrever a pesquisa com bastante antecedência, não tive problemas relacionados ao tempo de entrega do TCC e isso foi muito bom, uma vez que consegui desenvolver o trabalho de forma mais tranquila e sem toda a pressão dessa fase final da faculdade. 

Sem dúvida, meu orientador, o professor Enderson Oliveira, foi uma figura muito importante para que tudo ocorresse conforme o planejado. E a banca avaliadora, com os professores Diogo Miranda e Nélia Ruffeil, que fizeram colocações essenciais, desde o início do desenvolvimento do trabalho, para que eu conseguisse alcançar a nota máxima com louvor no dia da defesa. 

Após a defesa, ainda no fim do ano passado, apresentei meu trabalho também no X Simpósio Nacional da ABCiber - Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura, em São Paulo, na USP (logo mais o trabalho será divulgado nos anais no site da ABCiber). E estou aguardando o parecer da banca avaliadora do X Seminário de Pesquisa da Estácio, que acontecerá em outubro no Rio de Janeiro.

O significado dessa experiência

Como atuo na área científica, costumo dizer que meu TCC foi um dos trabalhos mais bonitos que já desenvolvi dentro da pesquisa em comunicação. Inclusive, alguns meses após a finalização e apresentação da pesquisa, continuo "colhendo bons frutos". 

A experiência de produzir um trabalho de conclusão de curso está ligada principalmente à questão da superação e à sensação de dever cumprido. Para mim o TCC é como a "cereja em cima do bolo", é um trabalho que reúne em poucas páginas tudo o que aprendemos e construímos ao longo dos anos de faculdade. No meu caso, procurei e procuro direcionar as minhas pesquisas para a região Norte, com o intuito de acrescentar ainda mais conhecimento científico para a região, uma vez que fazer pesquisa em comunicação na Amazônia não é tarefa fácil, pois contamos com inúmeras dificuldades para desenvolver os trabalhos. 

Conselhos para quem está fazendo o TCC

Lembro-me de um conselho que eu costumava dar na sala de aula para os alunos da monitoria em Teorias da Comunicação. O conselho era para que eles não deixassem para produzir um trabalho científico só quando chegasse a hora do TCC, porque muitos alunos têm dificuldades para desenvolver textos acadêmicos e chegam ao último período do curso sem saber produzir um bom artigo científico de acordo com as normas (inclusive fica aqui a minha crítica às faculdades que só focam no mercado e se esquecem da área acadêmica). 

Além do planejamento, acredito que falar sobre algo que em que você acredita e tem afinidade é essencial, isso torna o caminho do desenvolvimento do trabalho ainda mais fácil. É também imprescindível que o aluno se dê bem e confie no seu orientador, uma vez que irão trabalhar juntos durante meses. Como já havia dito, o TCC é algo que reúne em poucas páginas tudo o que se aprendeu ao longo da vida acadêmica, então não precisa temer, é só se dedicar que no fim dá tudo certo.

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