Uma análise do sensacionalismo na imprensa de Cascavel, com base em Alberto Dines

Redação Portal IMPRENSA | 26/06/2018 12:50
Alberto Dines foi quem utilizou pela primeira vez, em 1960, a expressão “imprensa marrom”, usada para se referir a veículos considerados sensacionalistas, em analogia ao “yellow journalism” americano, que surgiu no final do século XIX. 

Em seu livro “O papel do jornal”, o jornalista, que é considerado uma referência na crítica e análise da imprensa, divide o sensacionalismo em três categorias: gráfico, linguístico e temático. 

Com base nesses aspectos delimitados por Dines, Jeferson Espósito fez para o seu TCC uma análise dos títulos e chamadas para o Facebook de dois portais de Cascavel, no Paraná, o Catve.com e CGN, a fim de observar o uso (ou não) de uma linguagem sensacionalista por estes portais.

Jeferson se formou em Jornalismo em 2017 pelo Centro Universitário FAG, de Cascavel, e compartilha aqui os bastidores do desenvolvimento do seu TCC.  
Crédito:Arquivo pessoal

Como foi a análise do conteúdo
Para a fundamentação teórica, estudei a linguagem jornalística, como deve ser a construção dos textos e títulos, e a conceituação do sensacionalismo, tomando Alberto Dines como referência. Os aspectos sensacionalistas foram observados nas chamadas analisadas, mas também cheguei à conclusão de que a adequação ao meio digital e a linguagem dos espectadores, além da necessidade da construção apelativa e sedutora de títulos jornalísticos, determinam em grande parte como são construídas as chamadas.
 
Um dos principais desafios ao falar sobre sensacionalismo foi mostrar às pessoas que os tempos mudaram e o antigo conceito de sensacionalismo também. Durante a pesquisa, percebi que este tema está sendo mais trabalhado no meio acadêmico, e isso irá ajudar quem for pesquisar no futuro.
 
Os aprendizados
Durante o processo, aprendi muita coisa. Mas o que carrego comigo hoje é um novo olhar para o jornalismo, um olhar mais analítico. É automático ver um título, por exemplo, e começar a analisar com base no meu TCC. Também aprendi a organizar meu tempo, meus fichamentos, o que é muito importante. Os aprendizados pré e pós-produção são essenciais quando você entra no mercado de trabalho.
 
O significado dessa experiência
Vejo como uma barreira que consegui superar, já que durante a produção a gente chora, pensa que não é capaz, que não vai dar conta. A experiência é única e, quando você pega o jeito, quer sair escrevendo artigos, fazer análises e ver o que os autores que você considera referências pensam disso.
 
Tratar do tema “sensacionalismo” foi de suma importância para minha carreira. Penso mais na hora de escrever um título, uma linha fina, me coloco no lugar de quem vai ler. Com base no que aprendi na produção do TCC, quero contribuir para que outras pessoas entendam como mudou o conceito de sensacionalismo e que existe uma explicação para isso.
 
Conselhos para quem está fazendo o TCC agora
Primeiro passo: tirar da cabeça que não é capaz. É natural ter esse pensamento, mas isso só atrasa a produção. Se organizar para produzir também é fundamental. Assim você consegue conciliar faculdade, vida pessoal e trabalho. É corrido, não nego, mas quando você segura seu trabalho concluído é maravilhoso. Outra dica que deixo é: comece a pensar, com antecedência, em possíveis temas para o trabalho. Se você chega nas primeiras orientações já com um norte para seu trabalho, otimiza o seu tempo. Ir fazendo fichamentos também é importante. Todo material é bem-vindo.

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