Opinião: "A Copa do Mundo chegou, e nós jornalistas como estamos?", por Leandro Massoni Ilhéu

Leandro Massoni Ilhéu | 06/06/2018 12:19
Crédito:Arquivo pessoal
Mais um ano, mais uma Copa do Mundo. A 21º edição do torneio organizado pela FIFA será realizada em solo russo pela primeira vez na história. E em meio a esse clima gélido que deve embalar atletas e jogos nos luxuosos estádios europeus, chega-nos a seguinte dúvida: será que estamos realmente preparados e com pique para acompanhar a seleção brasileira e as demais classificadas para a competição mundial?

É bem verdade que esta edição da Copa, para uma boa parte dos brasileiros (e eu me incluo nisso) está longe de ser uma das melhores, ainda mais no quesito de expectativa quanto em relação ao time brasileiro comandado por Neymar, Tite e cia. Mas esse resultado, logicamente, provém daquele famoso e, só de lembrar, dolorido 7 a 1 para a Alemanha, o também chamado "Mineiraço".

A questão é que tanto a imprensa quanto os torcedores passaram a questionar o desempenho da seleção verde e amarelo após aquele vexame histórico em plena Copa realizada no Brasil há quatro anos. Embora as mudanças de técnicos (saiu Felipão e entrou Dunga, que por sua vez, cedeu o lugar para Tite) realizadas desde então, e que surtiram efeitos, principalmente com a entrada do gaúcho multicampeão com o Corinthians, além da vinda de novos jogadores e apostas futuras, a seleção não tem conseguido despertar totalmente a nossa atenção. Talvez com o hexacampeonato mundial esse panorama melhore, mas aí é que está...

Partindo do pressuposto de uma conquista brasileira (ou brazuca, como dizem por aí), nos conformaríamos com a posição de apreciadores dos bons momentos da seleção, passando a repercuti-la somente quando ganha algum título de maior importância, que é o caso da Copa do Mundo. Copa América, Copa das Confederações, Superclássico das Américas com a Argentina e torneios das seleções sub-15, 17 e 20 não são necessariamente novidades para quem acompanha os selecionados da CBF, e muito menos, para a imprensa esportiva, que está mais atenta ao fato do Brasil faturar o torneio que reúne 32 nações dos seis continentes do planeta.

É claro que, neste caso, há uma controvérsia: a conquista da medalha de ouro olímpica nos jogos do Rio de Janeiro, em 2016, diante da Alemanha, em pleno Maracanã, foi encarada pela mídia como uma espécie de “revanche” diante do algoz da última Copa, o que fez com que o peso deste triunfo obtido após as cobranças de pênaltis, sendo a última convertida por Neymar, craque do Paris-Saint-Germain da França (e ainda com futuro incerto na carreira), ganhasse maiores proporções do que a própria Olimpíada no país, que por sua vez, rendeu um novo recorde de medalhas brasileiras em várias modalidades (sete ouros, seis pratas e seis bronze).

Ou seja, nós brasileiros (imprensa e torcedores) ainda sofremos com a síndrome causada pela “Lei de Mutley”, que é causada quando há a necessidade de ver nosso time de coração ou a seleção do nosso país vencendo torneios de grande porte, como a Copa do Mundo ou competições ainda não conquistadas, como a obtenção da medalha de ouro olímpica há dois anos.

Agora, deixando de lado mais analítico, eu como jornalista e torcedor me considero sem tanta expectativa com o Brasil no mundial. Vou acompanhar os jogos, claro, mas se o time for hexacampeão, ficarei apenas satisfeito, e só. Admito que hoje estou em uma fase de observar mais do que propriamente torcer, fazer figa com os dedos, quebrar o rádio e a TV em um momento de empolgação ou acesso de raiva. Enfim, prefiro manter minha atenção para o que está acontecendo envolta e ver como a imprensa esportiva deve lidar com a repercussão das possíveis vitórias ou derrotas brasileiras. Essa é a parte que me chama mais atenção na Copa. Mas, em todo o caso, desejo desde o final da edição passada sorte a nossa seleção e aos escolhidos pelo senhor Adenor Leonardo Bachi.

*Leandro Massoni Ilhéu é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e pós graduado em Jornalismo Esportivo e Multimídias pela Anhembi Morumbi. É também radialista pela Rádioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Comunique Esporte. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão.

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