Conheça os bastidores da produção do livro-reportagem ‘Corações de Asfalto’

Redação Portal IMPRENSA | 10/05/2018 11:26
Corações de Asfalto é um livro-reportagem que conta histórias de vida de oito trabalhadores das ruas de São Paulo por meio do jornalismo literário, gênero consagrado por estrangeiros como Gay Talese, Janet Malcolm e Lilian Ross, além dos brasileiros Euclides da Cunha, João do Rio e Eliane Brum. 

O livro, lançado pela Editora Patuá, surgiu a partir do TCC que André Cáceres e Bruna Meneguetti fizeram em 2016, ano em que se graduaram no curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Os bastidores dessa História de TCC, contado por André e Bruna, você conhece aqui. 
Crédito:Editora Patuá

Sobre o trabalho 
Após encontrarmos intrigantes histórias de duas pessoas — um que já havia morado nas ruas depois de perder a família toda num acidente e conseguiu dar a volta por cima vendendo revistas de um projeto social chamado Ocas, e outro que havia trocado o ar condicionado e um emprego estável para rascunhar o próximo livro em uma mesa retrátil na calçada enquanto vendia o anterior — decidimos que queríamos contá-las. A partir desses personagens conseguimos definir o tema do livro: trabalhadores das ruas de São Paulo. A proposta era contar as histórias de vidas dessas pessoas usando, para isso, o jornalismo literário. Acreditamos que nosso objetivo maior foi dar voz às pessoas invisíveis, mostrar o preconceito que existe com quem trabalha na rua e, ao mesmo tempo, dizer o quanto essas pessoas têm a nos ensinar, inclusive na maneira com que observam a cidade e os outros. 

Principais desafios ao longo da produção
Nós nos propusemos a escrever um livro-reportagem contando a história de vida de pessoas que trabalham nas ruas, independente da profissão — motoristas, vendedores, cobradores de ônibus, artistas, feirantes… O principal desafio, além de conciliar a rotina de estudos, estágio e apuração do trabalho, foi encontrar personagens interessantes nas ruas. Tivemos de fazer muitas entrevistas até descobrir todas as pessoas que entraram para o livro. Outra dificuldade foi acompanhar as personagens durante vários dias, realizando diversas entrevistas, testemunhando o cotidiano de cada um e fazendo com que abrissem seus corações para nós. É difícil conquistar essa confiança, mas é certamente algo gratificante e prazeroso. Acreditamos que uma entrevista para uma reportagem de fôlego é uma troca entre entrevistado e repórter. 

Os aprendizados
Aprendemos na prática as dificuldades de realizar uma reportagem com vários meses de apuração e um grande número de páginas de texto. Tivemos de nos organizar muito bem entre buscar as pautas, realizar as entrevistas, pesquisar todos os dados que aparecem no livro, redigir o texto e editar tudo. Com o trabalho já pronto, também aprendemos como se procede no meio literário para produzir um livro por uma editora, todos os desafios dessa etapa que muitas vezes não são aparentes para quem vê o objeto pronto para ser lido. Aprendemos a trabalhar com prazos, a revisar tudo o que fazíamos, tomar cuidado com as informações e também a ouvir nosso orientador, os avaliadores da banca e nosso editor. Acreditamos que nosso momento de teste foi quando tivemos que conciliar a ética com os fatos jornalísticos. Há um limite de até onde o repórter pode ir para contar sobre a vida de alguém e isso não é algo que está nos livros, de modo que tivemos que descobrir na prática e, em muitos momentos, saber que era hora de parar. 

O significado dessa experiência
Essa experiência representou para nós um grande passo tanto como estudantes quanto como jornalistas, escritores e seres humanos. Foi muito mais que um simples trabalho de faculdade ou uma conclusão de um curso universitário, mas foi também a realização de um sonho de publicar um livro e uma forma de crescer como pessoas, pois tivemos de conviver diariamente com gente de todo tipo, todas as classes sociais, todas as origens, e entender seus mundos para contar suas histórias. Foi um trajeto de muito aprendizado e até mesmo de autoconhecimento. Com certeza uma experiência dessas nos torna mais maduros para novos desafios. 

Contribuições que o trabalho trouxe
O livro ‘Corações de Asfalto’ nos trouxe a satisfação de sermos autores publicados por uma editora e abriu as portas do meio literário, que é muito próximo do mercado jornalístico. Assim, pudemos ampliar nossas ambições e expandir nossos horizontes profissionais e pessoais. Além disso, ele nos motiva a fazer, sempre que possível, reportagens e discussões que nos satisfaçam e que não cabem dentro das redações tradicionais. Por exemplo, no próximo sábado (12/05), vamos mediar um debate na Casa Guilherme de Almeida sobre jornalismo literário, de modo que possamos discutir os novos rumos que esse gênero pode tomar e atrair novas pessoas, muitos dos quais estudantes, para essa possibilidade de reportagem. O resultado disso tudo é que mal acabamos de lançar o livro e já temos novos projetos em mente. 

Conselhos para quem está fazendo o TCC agora
O TCC não precisa acabar com a nota da banca de avaliação, ele pode ir além e conquistar muito mais se o estudante tiver a vontade de transformá-lo em um projeto maior, afinal ele é um dos mais difíceis e mais bem-feitos trabalhos que fazemos durante a graduação (e às vezes até mesmo depois dela). Assim, nosso conselho é que o estudante defina o tema que pretende pesquisar e o projeto que quer desenvolver pensando que aquele trabalho pode influenciar diretamente em sua carreira posterior e impactar sua vida por muito mais tempo do que uma mera tarefa da faculdade. Muitos pensam que ele é um verdadeiro bicho de sete cabeças, mas a verdade é que ele funciona como uma chave mestra, capaz de abrir muitas portas no futuro. 

Debate sobre Jornalismo Literário com os autores de ‘Corações de Asfalto’ e convidados 

Os jornalistas André Cáceres e Bruna Meneguetti, autores do livro Corações de Asfalto, serão mediadores de um debate sobre jornalismo literário no dia 12 de maio, sábado, às 15h, na Casa Guilherme de Almeida, em São Paulo, com entrada gratuita. A discussão reunirá também renomados profissionais da área, como os repórteres Christian Carvalho Cruz e Vitor Hugo Brandalise, e a pesquisadora Mônica Martínez.

O jornalismo literário é um gênero de reportagem que usa técnicas de narrativa da literatura, porém com o rigor das informações e veracidade do jornalismo. Serão discutidos o futuro e o passado deste gênero, assim como sua importância, forma de fazer e desafios. Após o debate, os autores autografarão o recém-lançado livro.

Serviço
Debate sobre jornalismo literário com sessão de autógrafos do livro Corações de Asfalto
Data: 12 de maio (sábado)
Horário: 15h às 18h
Local: Casa Guilherme de Almeida
Endereço: R. Cardoso de Almeida, 1943, Sumaré
Mais informações, acesse https://bit.ly/2INVqQn