"O jornalismo declara guerra às fake news"

Redação Portal IMPRENSA | 04/07/2017 14:15

FOCA NA IMPRENSA


Tema: "A proliferação de notícias falsas abre espaço para agências de verificação. Veículos de imprensa passaram a apostar em equipes de fact-checking próprias para combater quantidade de fake news existente na internet. Negar a existência de um boato é dever do jornalismo?"


AUTORAS: Bárbara Pereira e Elizabeth Matravolgyi


Universidade Presbiteriana Mackenzie - 4º semestre


As notícias falsas sempre existiram. Desde os registros mais antigos, sabe-se que há a proliferação de notícias sem qualquer compromisso com a veracidade dos fatos. A verdade passou a perder importância. 


Alguns veículos e até mesmo redes sociais estão desenvolvendo ferramentas para ajudar seus usuários e leitores a identificar e barrar essas notícias. O Facebook, por exemplo, divulgou uma série de dicas na sua central de ajuda, começando pela mais básica: checar a informação em vários veículos conhecidos. Além disso, pode-se destacar o cuidado com os títulos exagerados, investigar as fontes da matéria, analisar as fotos e a data em que tal notícia foi publicada. Tudo isso faz parte da estratégia do Facebook para barrar a divulgação das notícias falsas. Ao tomar essa atitude, a ferramenta deposita a responsabilidade de discernimento em seus usuários. 


O Google também tomou medidas importantes no combate às notícias falsas, tanto com pesquisas a respeito do tema, quanto com o fornecimento de selos de verificação na ferramenta de busca do site. A empresa enxerga a checagem de fatos como uma área fundamental da fase que o jornalismo encontra-se atualmente. Para isso, firmou parcerias com importantes agências, como a Lupa e Aos Fatos, aqui no Brasil. 


"É uma assunto delicado porque a liberdade de imprensa j á está sob ameaça em vários cantos do mundo", explica Tai Nalon, diretora executiva e cofundadora do Aos Fatos, agência especializada na checagem de notícias, declarações e dados publicados pela mídia. Fundada em 2015, a agência trabalha com um processo de sete etapas para verificar a veracidade de um fato. Eles selecionam uma declaração pública, analisam sua relevância, consultam as fontes originais, oficiais e alternativas, contextualizam e, por fim, as classificam entre uma das cinco categorias: verdadeiro, impreciso, exagerado, falso ou insustentável. 


A Agência Lupa também atua nessa área, sendo a primeira agência especializada em fact-checking do Brasil. "É um trabalho difícil e meticuloso. Requer muito tempo", afirma Cristina Tardáguila, diretora da Lupa. Durante a entrevista, destacou cinco códigos de transparência que devem ser seguidos: transparência na fonte, financiamento, metodologia de trabalho, correção e quanto ao apartidarismo. 

O meio digital exerce uma grande influência na proliferação das fake news. Tai explica que a ida da publicidade para o digital mudou a forma como os anúncios são mensurados: "sites de notícia falsa só existem porque conseguem ganhar dinheiro com mentira e sensacionalismo, os chamados caça-cliques".