Opinião: O espetáculo midiático chamado esporte, por Leandro Massoni Ilhéu

Leandro Massoni Ilhéu | 18/05/2017 13:30
O escritor francês Guy Debord, um dos célebres pensadores da Internacional Situacionista e da Internacional Letrista, tem como um dos seus trabalhos mais significativos o livro intitulado “A Sociedade do Espetáculo”. Nele, o autor constrói teorias com base na deficiência espiritual encontrada tanto nas esferas públicas quanto na privada, tendo como ponto central de sua obra a alienação, que é considerada mais do que uma descrição de emoções ou um aspecto psicológico individual. 

Na obra de Debord, é também ressaltada a consequência do modo capitalista da organização social que assume novas formas e conteúdos em seu processo dialético de separação e concepção da vida humana. 
Sobre todos estes aspectos que envolvem os estudos do autor francês, o jornalismo esportivo pode se incluir perfeitamente neste meio, uma vez que todos os acontecimentos veiculados pela mídia e suas mais diversas plataformas ganham proporções conforme seu teor e o apelo que é inserido para atrair a atenção do público.

Em muitos casos, as teorias de Debord fazem total sentido quando aplicadas ao modo de como é feito o jornalismo esportivo atualmente. E falo isso com exatidão e clareza, pois durante minha jornada no campo acadêmico, tive a oportunidade de ler e analisar trabalhos, teses e dissertações referentes ao “espetáculo” associado ao esporte.

Então, ao invés de aqui fazer uma análise sobre todos seus estudos acerca da “Sociedade do Espetáculo”, pretendo trazer algumas reflexões que sejam relacionadas a área jornalística esportiva extraídas de frases ditas pelo pensador em épocas passadas.

Na primeira frase listada, Debord afirma que “o espetáculo apresenta-se ao mesmo tempo como a própria sociedade, como uma parte da sociedade e como instrumento de unificação (...)”. Logo, podemos deduzir que o esporte – o espetáculo em questão –, como elemento unificador e, ao mesmo tempo, usado como transformador social, interage dentro da massa – a sociedade – e se faz presente no seu dia a dia. Falar que o futebol não entraria neste contexto, seria totalmente descabido.

A exemplo disso, aponto as corriqueiras notícias sobre os principais times do Brasil e do mundo como são abordadas pelos principais veículos de comunicação no país. Cada um deles tem sua visão – linha editorial – e fórmula de como escrever ao modo como o público deseja ver a situação do seu clube. Isso faz com que o receptor, neste caso, possa despertar empatia ou discórdia por aquilo que está sendo publicado pelo emissor.

“(...) Enquanto parte da sociedade, ele (o espetáculo) é expressamente o setor que concentra todo o olhar e toda a consciência (no caso, do público). Pelo próprio fato de este setor ser separado, ele é o lugar do olhar iludido e da falsa consciência: e a unificação que realiza não é outra coisa senão linguagem oficial da separação generalizada”.

“O espetáculo nada mais seria que o exagero da mídia”, por vezes, é correto de se afirmar, uma vez que, “cuja natureza, indiscutivelmente boa, visto que serve para comunicar, pode às vezes chegar a excessos”. Entretanto, “frequentemente, os donos da sociedade declaram-se mal servidos por seus empregados midiáticos” pelo fato de estarem cansados de ouvir, ler e assistir ao modo de como a informação está sendo transmitida. 

Desta forma, concluo que o esporte em si é um espetáculo pelo fato de que o público encontra-se moldado pela forma como os veículos de comunicação costumam abordar os conteúdos relacionados às modalidades diversas, apontando aquilo que seja de real agrado tanto para eles quanto à fatia de público que tem interesse de acompanhar sua programação. Ou seja, o modo como vemos o jornalismo esportivo faz toda diferença quando um canal pretende trabalhar com o assunto.

Crédito:Acervo pessoal

*Leandro Massoni Ilhéu é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e radialista pela Rádioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Comunique Esporte. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão.