Opinião: A tecnologia é uma "mão na roda" na cobertura esportiva

Leandro Massoni Ilhéu | 13/04/2017 12:00
Há tempos venho ouvindo falar dessa expressão. “Mão na roda”, para muitos, significa que algum elemento ou forma de ajuda facilita uma determinada situação. No caso do jornalismo esportivo, atribuo este termo à tecnologia, que ao longo dos anos, tem promovido transformações, no geral, positivas no quesito de cobertura esportiva.

A princípio, antes de vir a escrever sobre este tema, um professor da minha pós-graduação em Jornalismo Esportivo e Multimídias da Anhembi Morumbi pediu para que fizéssemos uma apresentação sobre o impacto da internet no esporte em geral. Logo, pensei: por que não associar isso à tecnologia e aos processos que são atualmente feitos na cobertura e transmissão da informação no meio esportivo?

Então, após refletir sobre tudo isso, chego à conclusão que nos tempos atuais, a forma como vemos o esporte se distanciou completamente do que era feito anos atrás. O acompanhamento das partidas e das informações são mais acessíveis devido à enorme quantidade de sites e portais (muitos deles, segmentados a um assunto em específico do esporte) e também pelos conteúdos projetados nas redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram).

Por exemplo, há 20 anos, alguns jogos eram transmitidos via TV ou rádio e aqueles que não podiam acompanha-los, em vista da ausência desses meios de comunicação em casa, tinham de esperar até o dia seguinte para ver os resultados no jornal vendido na banca.

E mais: no campo do entretenimento (sim, desde aquela época havia uma grande abrangência para o uso desse recurso a fim de entreter o público), muitos tinham uma certa curiosidade em saber sobre como aquele atleta vivia fora das quatro linhas, o que fazia nas horas vagas e por aí vai. Como naqueles anos não havia tantos aparatos tecnológicos que auxiliassem, inclusive, os jornalistas de redação nessas buscas de informações curiosas, o jeito era mesmo esperar o que as mídias convencionais iriam mostrar através dos programas esportivos que ainda perduram nas grades de programação de algumas emissoras.

Agora, com tantos sites, blogs e o vasto conteúdo que pode ser acessado (no geral, gratuitamente) na internet, digo que nós, o público (e também os jornalistas), a partir desses meios digitais, conseguimos estreitar nossas relações com esses esportistas e personalidades que transitam neste ambiente.

No caso dos profissionais de imprensa, eles passaram a fazer mais do que o óbvio, o “arroz com feijão” como dizem por aí. Em tese, começaram a ter um acesso mais fácil sobre o dia a dia de um jogador, técnico, entre outros. As matérias jornalísticas tornaram-se mais amplas e em cada página esportiva, é possível encontrar um conteúdo mais autêntico, que possa agradar tanto gregos quanto troianos (ou torcedores de equipes rivais, se assim preferir).

Mas o que venho dizer, ao certo, é que a nossa percepção de jornalismo esportivo vem sendo alterada diariamente com a inserção da mídia digital. As informações sobre esportes diversos e o que dizem os cronistas e especialistas da área esportiva podem ser assistidas a qualquer hora, via vídeos do YouTube ou plataformas propriamente integradas aos sites de notícias.

Para quem deseja vivenciar o jornalismo esportivo, deve entender que hoje, a chamada Aldeia Global, termo criado pelo filósofo canadense Herbert Marshall McLuhan, que explica o encurtamento das distâncias por meio das novas tecnologias e todo seu processo, é uma realidade cada vez mais nítida. Em outras palavras, não há mais impedimentos ou qualquer outro obstáculo que possa implicar na construção de uma reportagem bem mais elaborada sobre um assunto em especial.

Entretanto, há aqueles que ainda não são totalmente adeptos a esses novos meios de busca de informações. Creio que esses sujeitos talvez possam ser os mais prejudicados, caso não corram atrás de uma reciclagem e atualizem seus estudos referentes ao modo como a internet vem, a cada dia, revolucionando a linguagem jornalística no esporte.

Concluindo, o jornalista sem o apoio da tecnologia, não basta! É necessário utilizá-la, porém, não se apegar totalmente a ela. Tudo é apenas uma questão de moderação.

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*Leandro Massoni Ilhéu é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e radialista pela Rádioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Comunique Esporte. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão.