Opinião: Pelo fim do jornalismo “clubista”, por Leandro Massoni Ilhéu

Leandro Massoni Ilhéu | 09/03/2017 14:00
O “clubismo” na mídia esportiva é uma prática que devia ser exterminada, pois nada tem de interessante para ser acrescentada ao atual modo de se fazer jornalismo. Por que digo isso? Simples: no meio da comunicação, não podemos deixar transparecer tanto nosso lado pessoal. Ainda mais no meio esportivo, no qual o jornalista necessita de um policiamento redobrado quanto em relação à sua paixão por uma equipe ou admiração por um atleta.

A exemplo disso, nas faculdades de jornalismo, é comum que existam estudantes que desejam seguir a área esportiva por acharem que poderão falar sobre seu clube de coração de forma totalmente livre, apenas ressaltando os pontos positivos. Inclusive, tenho até hoje amigos ex-colegas de sala que, por serem inveterados torcedores, preferiam escrever ou fazer trabalhos referentes a futebol, mesmo que não fossem ligados aos times pelos quais tinham afinidade. 

Contudo, a questão a ser abordada neste texto é de que no futebol, assim como em outros esportes, precisamos ser totalmente desapegados. E esse desapego ao qual me refiro pode servir tanto para o lado profissional quanto ao pessoal. 

Suponhamos que um editor de texto, ao olhar o que você escreveu, diz que não está bom o bastante, porque a crônica está ou não favorecendo apenas um lado. Nestas horas, é recomendável que o jornalista seja compreensivo e aceite os fatos.

Outro caso: se o teu colega discorda de suas opiniões sobre uma partida, jogador ou situação recorrente no esporte, procure entendê-lo de forma pacífica e sem causar atritos e a ponto de se tornarem ofensas verbais ou algo pior do que isso. Evite que o fanatismo ao extremo tome conta de ti, ok? Aliás, faça-o desaparecer!

Resumindo: o bom jornalista (e estudante da área) é aquele que sabe lidar e ter respeito com as ideias dos demais a sua volta, mantendo o senso crítico moderado diante dessas e de outras semelhantes situações. Já dizia o jornalista e escritor colombiano Gabriel García Márquez que “a ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro”.

Ainda sobre o “clubismo”, hoje em dia é normal vê-lo por aí nas rodas de conversa, no bate papo entre os colegas (e focas) de sala de aula e, por que não, nas tradicionais reuniões de família. Porém, como jornalistas, precisamos fazer uma espécie de “peneira” e filtrar apenas aquilo que pode ser considerado relevante e discutido de forma contundente. 

As costumeiras brincadeiras, como aquelas de “meu time é melhor que o seu” etc., sim, podem existir entre os profissionais de comunicação, mas desde que não ultrapassem os limites do profissionalismo, com o uso de termos e palavreados inadequados, seja na TV, no rádio, no veículo impresso, na web, nas redes sociais e por aí afora. Mesmo porque nossas carreiras nesta área dependem muito da imagem que deixamos à mostra.

Ou seja, nesse meio, a imagem, a ética e, acima de tudo, a credibilidade como jornalista é, digamos, a chave para o sucesso profissional. Sem esses elementos dentro do nosso dia a dia, deixamos de ser propagadores da informação contundente e passamos a ser mais uma daquelas figuras despercebidas no meio de tantos outros palpiteiros com ideias sem fundamentos.

Crédito:acervo pessoal


*Leandro Massoni Ilhéu é jornalista formado pela Universidade Paulista (Unip) e radialista pela Rádioficina Escola de Rádio e Televisão. Tem se aventurado a escrever sobre jornalismo esportivo por meio do site Comunique Esporte. É também autor do vídeo documentário “O Futebol Nacional”, que conta a história do Nacional Atlético Clube através do ponto de vista de jornalistas e peritos no esporte bretão.