Jornalistas propõem reflexão sobre o vício de crianças e adolescentes em crack

Alana Rodrigues | 01/12/2016 17:00
Com o objetivo de propor uma reflexão sobre o impacto da dependência química na infância e adolescência, as jornalistas Andrea Pereira e Joseane Oliveira produziram a série de reportagens para rádio "Crianças e Adolescentes na Mira do Crack", como TCC na Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (Fapcom). 

Crédito:Arquivo Pessoal
As jornalistas Andrea Pereira e Joseane Oliveira apresentam série de reportagens sobre o vício de crianças e adolescentes no crack

Na produção, há relatos de personagens que utilizaram o crack antes dos dezoito anos e depoimentos de profissionais que trabalham ou já trabalharam com esse público. Uma das histórias mostra a trajetória da jornalista Esmeralda Ortiz. Ela saiu de casa aos oito anos e foi viver na Praça da Sé, na região central de São Paulo, por onde ficou até seus 19 anos, quando largou as drogas. 

"A Esmeralda representa o objetivo do trabalho, mostrar o crack atravessando gerações. Ela passou por abrigos, e também é interessante como ela se superou e o trabalho importante que as ONGs fazem para a recuperação", destacam.

Por ser um tema delicado, as jornalistas seguiram as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescentes (ECA) e da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) na hora de conduzir as entrevistas, para não expor os personagens.

Crédito:Wallace Merlino
Arte ilustra série de reportagens "Crianças e Adolescentes na Mira do Crack"

Desafios

Desistência de integrante, mudança de orientadores, alterações de pautas e no projeto foram alguns dos desafios enfrentados por Andrea e Joseane ao longo da produção do trabalho. Segundo elas, também falta de dados e bibliografia específica sobre as consequências do vício do crack em crianças e adolescentes. 

"No jornalismo tudo é dinâmico. Você precisa aprender a lidar com isso, aprender a trabalhar com os nãos, ter o plano B, C, D, mudar a pauta, se preciso. Houve muitas lacunas que gostaríamos de preencher, mas não foi possível devido à ausência de dados, além da falta de resposta dos órgãos públicos", relatam.

Lições

Um dos aprendizados que o TCC trouxe para as jornalistas foi de que o comprometimento com uma causa é essencial. Elas também destacam que toda dica é valiosa, seja um apontamento ou crítica do professor, além da importância de ouvir todos os lados. 

"A cada entrevista descobríamos que estávamos na direção correta. Todos os personagens e especialistas foram marcantes, todos têm uma vivência, uma história, uma dificuldade. As fontes também trouxeram um alerta: a droga existe, independente da classe social, idade, sexo. O crack é apenas uma consequência de uma série de outros fatores sociais que a antecede”.

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