Jornalista narra a história do comunicador Valério Luiz em TCC

Gabriela Ferigato | 20/09/2016 15:30
No dia 5 de julho de 2012, o cronista esportivo Valério Luiz de Oliveira foi assassinado em frente à Rádio Jornal - 820 AM, em Goiânia, logo após deixar a emissora onde trabalhava. A investigação do caso concluiu que o jornalista foi morto por sua atuação profissional, uma vez que fazia duras críticas contra a diretoria do Atlético-GO. Quatro anos depois, o caso ainda aguarda o julgamento. 
Crédito:arquivo pessoal
Piero Sbragia (banca), Vanderlei Dias (orientador), Aline, Nilda Rodrigues Imercio (mãe de Aline) e o professor Hugo Harris
Com o objetivo de retratar, de alguma forma, a realidade de jornalistas que são mortos por exercer a profissão no Brasil, Aline Rodrigues Imercio decidiu se debruçar na história de Valério Luiz em seu trabalho de conclusão de curso na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Um dos desafios, segundo ela, foi o receio de falar de um tema tão delicado.

“Por ter uma motivação muito forte em querer mostrar para as pessoas essa realidade, eu não tive tanto medo de cobrir o caso, mas as pessoas que estavam ao meu lado alertavam os perigos que eu poderia enfrentar”, afirma.

Outro desafio foi realizar o vídeo documentário (modalidade escolhida) sozinha. A estudante, à época, fez parte da primeira turma de alunos do Mackenzie que teriam, obrigatoriamente, que produzir individualmente, mas a jornalista contou com a ajuda de sua irmã, que a acompanhou até Goiânia, e de uma amiga, Camila Cavalcante, que auxiliou na edição do vídeo.

A partir da indicação da Associação de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), Aline chegou até Valério Luiz Filho, filho do jornalista. “Ele me mostrou uma capacidade enorme de lutar por seus ideais. A minha frente relatando o caso, mostrando o local do crime, os amigos e quem cuidou das investigações estava o filho de um jornalista assassinado e também um homem que não iria desistir enquanto não visse a justiça ser feita”.

Balanço

Ao produzir o relatório do TCC, Aline esbarrou com muitos outros casos da mesma esfera. “Vi um Brasil ainda mais complexo do que se pode imaginar. Há muito jornalista, principalmente de cidade pequena, que tem medo de fazer a investigação sobre corrupção porque sabe que, caso denuncie alguém que pratica uma espécie de coronelismo na cidade, pode ser assassinado. Isso prejudica muito nossa profissão”.

Além de receber nota máxima, o vídeo documentário “Por uma palavra” foi premiado como o melhor vídeo apresentado no Mackenzie no segundo semestre de 2015, participou do programa “Espaço Universitário”, da TV Câmara, e foi indicado, na categoria reportagem televisiva, para o Intercom deste ano.

“Meu objetivo maior, que era o de poder ajudar o filho do Valério na divulgação do caso, também vem sendo alcançado. Em 2015, ao falar sobre o caso do seu pai no Congresso de Jornalismo Investigativo da ABRAJI, Valério Luiz Filho mostrou algumas imagens do documentário aos congressistas ali presentes”.

Como principal dica aos que vivem hoje a produção do trabalho de conclusão de curso, a jornalista aconselha que os estudantes vejam o TCC como oportunidade para mostrar todo o potencial e já sinalizar qual o seu sonho no jornalismo. 

“Escolha um tema que te dê paixão, te dê vontade de mostrar e que tenha um objetivo além de só ter uma nota máxima no final. O TCC é uma ótima vitrine do jornalista que você é. Tenho um amor enorme por televisão e por jornalismo investigativo, ainda não estou na área, mas acredito que essa experiência já me enriqueceu muito”.



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