Algoritmo tupiniquim: Qual a relação do Brasil com a Inteligência Artificial?

Hellen Cerqueira, da Universidade São Judas Tadeu | 01/10/2019 12:41
Crédito:Hellen Cerqueira


O terceiro painel da 5ª edição do mídia.JOR, evento promovido pela Revista e Portal IMPRENSA, contou com Lilian Ferreira, editora-chefe do VivaBem e Tilt da Uol, Alessandra Montini, diretora do LabData da FIA e professora FEA/USP, e Carmelo Laria, fundador & CEO da The AI Academy. Com mediação de Zeca Camargo, jornalista e apresentador da TV Globo, eles discutiram sobre “O algoritmo tupiniquim – o que o Brasil já produz de IA e como cobrir o setor”.

Por que “tupiniquim”?

O termo “algoritmo tupiniquim” é novo, pensado especialmente para o evento. “Quem decidiu o nome foi o Lúcio Mesquita [curador desta edição do mídia.JOR]. Mas quando estávamos pensando no Tilt, uma das propostas era Tupinitec. Querendo ou não, a questão do índio é muito brasileira no nosso imaginário”, disse Lilian Ferreira, do UOL. 

Em agosto deste ano, o canal Tilt foi criado com a finalidade de dialogar com os brasileiros sobre tecnologia. “O jornalismo de tecnologia hoje, no Brasil, é baseado em traduzir coisas que vem de fora. Falamos das startups e empresas de fora, mas não citamos o que está sendo feito aqui”, comentou a editora.
Crédito:Hellen Cerqueira

Brasileiros x Inteligência Artificial 

Uma questão que preocupou os palestrantes é o distanciamento da população dessa nova realidade com a tecnologia. Ainda existem muitos mitos relacionados a IA, principalmente sobre o comportamento dos algoritmos desenvolvidos, a relação do “bem e mal” da tecnologia. Criados na maioria dos casos, de acordo com o que foi levantado no debate, pela indústria cinematográfica. “É importante pensar que a máquina faz o que o homem mandou ela fazer”, destacou a editora-chefe do Tilt no UOL.

Outro problema detectado por todos os palestrantes é a falta de visibilidade da Inteligência Artificial desenvolvida no Brasil pelos próprios brasileiros. E, ao contrário do que muitos podem pensar, não é um campo explorado recentemente. “[...] Só não tínhamos computadores para testar os algoritmos”, disse Alessandra, professora FEA/USP.

A professora também posicionou que uma possível solução para um maior avanço desta área no país, visto a falta de investimentos públicos, é a iniciativa privada. Buscar recursos com empresas para manter as pesquisas.

“No Brasil, o setor financeiro e o agronegócio são os que mais investem em IA”, declarou Carmelo, da The AI Academy. Quando questionados sobre qual área do país necessita de mais auxílio da Inteligência Artificial, todos concordaram com Alessandra Montini, que manifestou priorizar a saúde. 

Durante o painel, os convidados citaram regiões que têm bastante envolvimento com a IA. “Em São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco”, disse Alessandra. “Em Belo Horizonte tem uma cena de desenvolvedores. Ainda na cidade, tem o centro do Google, que acaba estimulando”, citou Lilian. “Não muito longe [de São Paulo] tem Campinas, São Carlos. Ambas aqui perto, e tem bastante pesquisa e pessoas trabalhando nesse setor”, acrescentou Carmelo.

Ao comparar o desenvolvimento de IA no Brasil e no exterior, muitas possibilidades foram levantadas. “O que eu sinto falta na universidade é união. Existem várias pesquisadores espalhados que não compartilham códigos, o que é diferente dos Estados Unidos”, indicou a diretora do LabData da FIA. A falta de informação também é um grande influenciador. “Há pessoas que estão fazendo algoritmos sem conhecimento nenhum. Não são profissionais capacitados”, finalizou Alessandra.

Lilian, Alessandra e Carmelo também enfatizaram os avanços que a IA trouxe para a educação e o jornalismo. Tarefas simples, mas que antes demandavam muito tempo, como transcrever uma entrevista, podem ser automatizadas por meio de algoritmos. Entretanto, segundo eles, para que se obtenha sucesso nesses processos, é preciso ter uma relação mínima entre homem e “máquina”, por isso a importância do algoritmo nacional. 

“A linguagem é muito importante. Geralmente quando o algoritmo vem de fora ele não consegue identificar nuances da nossa língua. Então, por exemplo, se a ideia for utilizá-lo para identificar palavras-chave, um que é brasileiro vai entender muito melhor como usamos as palavras em português”, ressaltou Lilian Ferreira.

*Hellen Cerqueira é estudante na Universidade São Judas Tadeu. Para a cobertura do mídia.JOR, IMPRENSA estabeleceu uma parceria com universidades e professores por meio do projeto "Embaixador IMPRENSA" - uma iniciativa do Portal IMPRENSA que reúne estudantes de Comunicação para um intercâmbio de informações e experiências.

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