Como os avanços tecnológicos refletem no jornalismo atual

Laura Ellis, da BBC (Londres), explica sobre o surgimento da IA na imprensa e seus reflexos na mídia e no mundo

Isabela Bumerad e Sophie Cohen Chermont, da Universidade Mackenzie | 01/10/2019 12:29
Na última quinta-feira (26) aconteceu o mídia.JOR, evento promovido pela Revista e Portal IMPRENSA para discutir jornalismo e inteligência artificial. Na abertura, Laura Ellis, diretora de Inovação Tecnológica da BCC (Londres) falou da importância de inteligência artificial no jornalismo e dos softwares que a empresa vem usando.

Dentre algumas tecnologias que citou estão o machine learning, novos chips para melhorar o desempenho dos aparelhos e servidores atuais, além de otimizar a interpretação de dados, deep learning, sistema de recomendações e muitos outros.

Laura explica que “podemos não querer a IA no jornalismo, mas vai acontecer, a questão é como e quando” e acrescentou que “nós da BCC queremos saber como podemos nos tornar melhores”. A tecnologia avança a cada dia e muitos desses softwares já estão no dia a dia da população como a tradução, ou em agências de checagem de fatos que utilizaram o monitoramento nas eleições do ano passado. Tanto que Laura explica como não só as fake news afetaram tais eleições, mas também como o sistema de algoritmo as popularizaram e ajudaram a influenciar o pensamento de muitos eleitores.

A diretora da BBC ainda explicou que embora a tecnologia seja boa e nos ajude no nosso dia a dia, há alguns problemas, como as redes sociais que podem agir como uma via de mão única para pessoas insatisfeitas com o governo. “Quando nos sentimos insatisfeitos, procuramos online grupos que entendam como nos sentimos”. E explica que muitas pessoas procuram notícias e fatos que creem ser plausíveis, e uma vez que encontram algo que esteja de acordo com suas ideias e princípios, a pessoa dissemina tal informação, sendo ela verdadeira ou não. Laura explica que isso acontece pois esses sites potencializam a insatisfação e a população acaba por se tornar agente de desinformação.
Crédito:Gisele Sotto

No Brasil isso acontece principalmente por meio do WhatsApp, uma das maiores redes sociais no país, com 50% ou mais usuários dentre a população segundo a palestrante, o que transformou a situação em um grande ecossistema de mensagens perigosas. E isso aconteceu também na Índia nas últimas eleições.

Dentre os trabalhos que a BCC vem desenvolvendo, o machine learning é um dos que merece destaque. Ele possibilita que você adapte uma fala para vários idiomas diferentes, como mostrado em um vídeo durante a palestra. É  visto também que por enquanto, ele permite escanear a face de quem está falando e o software faz com que esse rosto repita os movimentos faciais de seu dublê. Ainda estão trabalhando para que a voz e o timbre se pareçam mais com o original, nesse momento ainda é a do dublê que é usada.

Laura fez um prospecto sobre em que pé estará a tecnologia e o jornalismo em cinco anos: “Vamos integrar a tecnologia de fato, poderemos fazer o recrutamento, RH, poupar tempo e o jornal será automatizado”. E para aqueles que pensam que não existirão mais empregos, por terem sido ocupados por por máquinas, ela responde: “Pode acontecer, pode. Assim como outras profissões deixaram de existir com o avanço da tecnologia, elas [as máquinas] não substituem o cérebro humano”. 

No encerramento, Laura falou sobre um jogo chamado “Get Bad News”, no qual o jogador se torna um divulgador de fake news. Conforme o jogo acontece e o jogador vai divulgando tais notícias, ele se torna capaz de entender a razão das pessoas acreditarem em fake news e o que as faz ser tão críveis. Link para o jogo getbadnews.com.

*Isabela Bumerad e Sophie Cohen Chermont são estudantes na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Para a cobertura do mídia.JOR, IMPRENSA estabeleceu uma parceria com universidades e professores por meio do projeto "Embaixador IMPRENSA" - uma iniciativa do Portal IMPRENSA que reúne estudantes de Comunicação para um intercâmbio de informações e experiências.

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