"Mudança no Facebook é novo marco para veículos de comunicação", por Victor Stok

Artigo vencedor do Foca na IMPRENSA (fevereiro 2018)

Victor Stok Corral | 16/04/2018 13:01
Tema: Como as novas mudanças no Facebook podem impactar os jornalistas/veículos produtores de conteúdo?

Se quando a rede social com maior número de usuários no mundo - 2 bilhões ativos por mês - chegou à internet e transformou a maneira de se produzir conteúdo e alterou de passiva para ativa a relação leitor/notícia, a decisão tomada por Mark Zuckerberg de priorizar as postagens de amigos/familiares ao invés de páginas de conteúdo também causará impacto semelhante aos veículos de comunicação.

A partir do começo deste ano, primeiro em testes nos EUA e depois para todos os países, os algoritmos do Facebook passarão a privilegiar em sua página principal as postagens pessoais com o argumento de que perdeu a proposta inicial de "ajudar a nos conectarmos uns com os outros" em detrimento a páginas de grandes empresas, inclusive as de jornalismo.

Reportagens, vídeos e conteúdos das empresas jornalísticas terão menos espaço naquela que é a maior ferramenta de divulgação e propagação de informações dos últimos anos, basta ver o tempo que os usuários zapeiam pelas páginas da rede social norte-americana.

Como consequência da mudança, o interesse em buscar a informação passará às mãos do leitor. Se antes os algoritmos de Zuckerberg determinavam o conteúdo mostrado ao usuário, a partir de agora quem quiser ficar informado começará a tomar atitude de buscar a informação em veículos confiáveis. 

Surge nesse contexto a importância e a necessidade urgente do jornalismo de qualidade e que informe com isenção. Se antes o usuário estava em uma 'bolha' de opiniões com sua ideologia exposta aos quatro cantos do feed de notícias, nesse momento ele passará a entender que os grupos de mídia confiáveis e tradicionais são os que prestam o serviço de qualidade ao manter o leitor informado. 

A Folha de S.Paulo, jornal brasileiro com maior número de seguidores no Facebook (5,95 milhões), já anunciou no começo de fevereiro que deixará de atualizar seu perfil na rede social. Obviamente que seu perfil conduz o leitor ao jornal, e, consequentemente, ao aumento dos anunciantes devido ao número de acessos, entretanto, um veículo como a Folha já possui a idoneidade necessária e outras plataformas e mídias digitais para estreitar a relação leitor/jornal.

Páginas no Facebook que produziam conteúdos com informações sem embasamento e as famigeradas 'fake news', verdadeiros desserviços à sociedade, devem perder força e público sem o suporte oferecido pela rede social. Esses sites devem ficar esquecidos na internet sem o compartilhamento massivo de falsas informações.

A mudança no feed de notícias pode representar também um primeiro passo para o amadurecimento do usuário das redes sociais. Normalmente, publicações de veículos de comunicação costumam ser palcos de verdadeiras guerras e chuvas de termos xenofóbicos, homofóbicos, racistas e de mau-caratismo e ignorância. 

As transformações batem à porta dos veículos de comunicação e cabe, mais uma vez, adaptar-se às rápidas mudanças desse mundo virtual cada vez mais mutável.

*Victor Stok Corral é aluno de jornalismo no Centro Universitário de Rio Preto (UNIRP), em São José do Rio Preto, em SP.