Influente e instantânea: a atuação da imprensa no processo de impeachment

Artigo vencedor do Foca na IMPRENSA (Junho/2016), por Caroline Gomes da Silva (UMESP)

01/08/2016 01:00
A situação política (e consequentemente econômica) enfrentada recentemente pelo Brasil reflete a capacidade de influência da mídia brasileira como formadora de opinião. O período de início dessa crise que reina no país é controverso e o seu fim parece ainda indefinido, mas entre tantas incertezas há uma convicção universal: a participação da imprensa foi fundamental para moldá-la e transformá-la no que vemos hoje.

O auge dessa participação aconteceu durante o processo de impeachment, que atraiu (e continu a atraindo) a atenção de grande parte da população. As palavras "golpe" e "justiça" ganharam um significado ainda mais intenso, e basta proferi-las para ser julgado como partidário, apartidário, louco ou são (dependendo do ponto de vista de quem o classifica).

As notícias sobre esse processo se tornam totalmente instantâneas. A rapidez da disseminação de informações (sejam elas corretas ou não) diz muito sobre a fragilidade do jornalismo. A notícia deixa de pertencer àquele que a escreve para pertencer a todos aqueles que a propagam e a reproduzem da forma que lhes cabem.

Os grandes veículos de comunicação voltaram todas as suas forças para a cobertura do assunto e a imparcialidade é motivo de contestação. Embora a essência do bom jornalismo seja retratar os fatos com veracidade, sempre dando voz para os dois lados e o mesmo espaço para ambos, torna-se uma missão quase impossível ser politicamente imparcial diante de situações como essas. 

Tal imparcialidade pode nã o ser facilmente percebida, mas basta comparar o modo com que os fatos sobre o impeachment são abordados em cada jornal, revista, mídia digital, programa de rádio ou telejornal. O conceito da "pirâmide invertida", apresentado aos jornalistas ainda na faculdade como a técnica mais comum e correta na construção de uma notícia, varia de acordo com aquele que a produz e com o local onde ela será publicada. Como consequência, certos partidos políticos e ações partidárias ganham pesos diferentes e a sociedade é impactada pelas informações (em especial, as opinativas e tendenciosas) que recebem.

É notável também a participação ativa dos meios de comunicação independentes durante a cobertura do andamento do impeachment. Em sua maioria, esses meios (blogs, portais, organizações sem fins lucrativos, agências independentes, entre outros) costumam se posicionar politicamente e são dirigidos a um público mais direcionado, que busca tanto as notícias imediatas e atualizadas como reportagens mais aprofundadas sobre o assunto na internet. E é na internet que todos (ou qualquer um) se apropriam das notícias, tornam-se jornalistas momentâneos e grandes especialistas políticos por alguns instantes.

São muitos os fatores que impactam a relação entre política e imprensa. O processo de impeachment não está sozinho, mas carrega consigo um processo igualmente incerto: até onde pode chegar a influência da mídia no Brasil?