FOCA NA IMPRENSA - Leia o artigo 2

01/12/2016 09:00
FOCA NA IMPRENSA

Tema:"A última Pesquisa Brasileira de Mídia aponta que os jornais impressos estão na liderança de confiança dos brasileiros como meio de comunicação. A que você atribui o resultado do levantamento diante do amplo consumo de notícias por meio da internet?"


AUTOR(A): Adrieli Prêto Fiorani

Centro Universitário Toledo - 5º semestre

A credibilidade por trás do jornal impresso 

O jornal impresso diferentemente da internet traz em sua característica como meio de comunicação uma essência documental. São páginas que associam textos e imagens, com registros de informações, checagens e opiniões de pessoas muitas vezes conhecidas por seus trabalhos e assinaturas pelos leitores. Essa aproximação entre autor e legente é justamente o que dá a sensação de credibilidade à notícia.

Para o crítico do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de conhecimento, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco, as redes sociais dão o direito à palavra a uma "legião de imbecis", nelas qualquer pessoa com acesso pode escrever e propagar o que quiser. Sendo assim, como ter segurança em um veículo em que como diz a fala popular é "terra de ninguém". 

As particularidades da web que visa à velocidade e rapidez na transmissão das matérias também são atributos que prejudicam a confiança nos dados. Segundo um levantamento realizado pelo site norte-americano BuzzFeed, a partir das notícias políticas mais compartilhadas nas redes, nas semanas anteriores à eleição americana, o número de informações falsas superou o de reportagens verdadeiras. O que torna difícil para os indivíduos acreditarem em um meio que prefere a agilidade ao invés da apuração dos fatos. 

Além do mais o impresso traz consigo o toque pessoal que cativa o brasileiro. No documentário "O Brasil de Darcy Ribeiro", baseado no livro "O Povo Brasileiro" do antropólogo que dá nome ao longa metragem, Darcy Ribeiro, é aparente que culturalmente a população brasilense tem incorporada a ideia de contato, físico ou de ideias. Com isso é mais fácil assimilar como verdadeiras as notas escritas em jornais que são apalpáveis e possuem pessoas conhecidas pelas palavras que produzem do que as de anônimos escondidos atrás de computadores.

Porém mesmo com essa descrença no virtual, atualmente já é possível identificar os sites que divulgam informações falsas. Em um estudo feito pela Associação dos Especialistas em Políticas Públicas, utilizando os critérios da ferramenta chamada "Monitor do Debate Político no Meio Digital", criada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), todas as páginas indicadas com notícias mentirosas tinham em comum a falta de referências aos administradores, possuíam textos cheios de opiniões, não assinados, com novos conteúdos a cada minuto, cheios de propagadas, com designs poluídos e nomes parecidos com outros produtos conhecidos. Com noções assim, a leitura pela Internet pode ser feita sem medo de ser enganado.

A análise é que a cultura do brasileiro tem enraizada em si a necessidade da proximidade. A pessoalidade que o jornal impresso tem em suas especificidades nem mesmo a Era Digital com seu grande fluxo de conteúdo foi capaz de superar. Só é crível de credibilidade o conhecido, o anonimato ainda gera o medo no leitor, tornando suas palavras tão invisíveis quanto o indivíduo. 

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