FOCA NA IMPRENSA - Leia o artigo 2

“Liberdade, onde? Entre discursos e redes sociais, o Brasil 2018”, por Pedro Paulo da Silva Neri

01/12/2016 09:00
Tema: O que pautou a mídia em 2018?
Autor: Pedro Paulo da Silva Neri, graduado em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

Nunca se produziu tanta informação como atualmente. O fluxo de troca de mensagens e o nascimento de comunidades sociais na web passam a sensação de pertencimento ao mundo, só que virtual. A liberdade é um membro invisível do ser humano, faz parte das nossas vidas e está em pauta no mundo. No Brasil não é diferente.

Devido ao período eleitoral, o ano de 2018 dos brasileiros foi cerceado pelo alto volume de informações, que nem as equipes jornalísticas de fact checking deram conta da demanda. Facebook, Twitter e WhatsApp, o 'trio de ferro' da rede mundial de computadores tratou de roubar a cena, claro, com a ajuda dos usuários que estão nelas abrigados.

As redes sociais são um exemplo simbólico do que é liberdade. A construção e o crescimento delas se dão pela ajuda de quem as compõem, no caso, as pessoas, e também a tecnologia, tendo como suporte smartphones, notebooks, tablets e computadores. Contudo, a tribo virtual logo se torna uma ágora exposta em grande escala, e assuntos recorrentes que antes não eram debatidos com tanta veemência, passam a ser levados a sério.

Tanto que as sanções que são impostas à sociedade no mundo real não surtem muito efeito no mundo virtual. Basta uma postagem, mais um comentário, mais outro contraponto para disseminar confrontos nada vistosos. A eficácia das fake news não teria a sua utilidade se não fosse auxiliada - propositalmente - primeiro, por quem as produz; segundo, pelos maus leitores que somos; e terceiro, pela insensatez do ser humano.

A 'era dos algoritmos' agora faz parte da história, mas isso não pode servir de bode expiatório para justificar o que é injustificável, quanto aquilo que se é estudado, debatido, empenhado ao direito de liberdade, tolerância, respeito e dignidade. No ano em que completou 70 anos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi jogada no lixo.

As mortes da ex-vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e do mestre de capoeira Moa do Catendê, os discursos de ódio expelidos por representantes da população, absolvidos e replicados por seus seguidores, a censura da mídia - e a censura à mídia; o preconceito velado, agora exposto; as discussões familiares pelo 'zap'; o atentado ao novo presidente da República; a prisão de um ex-presidente. O Brasil ficou dividido em 2018, e motivos para tal não faltaram.

Apesar do contexto, nunca se falou tanto em democracia, direitos humanos, política, dignidade e liberdade. Todos esses termos estão intercalados, e não podem ser ignorados.

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