FOCA NA IMPRENSA - Leia o artigo 1

"O jornalismo se rende ao podcast. E isso é muito bom", por Marcos Robério de Freitas

01/12/2016 09:00
Quando ouvi o primeiro podcast tive certa dificuldade em levar o assunto a sério. Com conversa informal e brincadeiras, os apresentadores traziam assuntos ligados a diferentes áreas do entretenimento de forma divertida. Mas aquela bagunça servia mesmo para informar? Então, apenas alguns meses depois, eu estava mergulhado nesse universo onde qualquer conteúdo poderia ser produzido.
 
De certa forma, só comecei a produzir podcasts durante as aulas de radiojornalismo, no quarto período da graduação. Desenvolvi com mais três amigos o programa "Sala Escura", projeto da disciplina em que conversávamos sobre cinema. Com todas as mudanças ocorridas no jornalismo, principalmente devido ao advento da internet, ainda surgiam dúvidas até onde o podcast poderia ir, e o que ele significava para o público.

O podcast é classificado como um programa de rádio digital ou formato de transmissão de áudio dos mais diversos assuntos pela internet. A temática de produção pode envolver cinema, música, saúde, política, games, entre outros. A credibilidade da transmissão está na qualidade da informação, até porque é uma forma de comunicação, assim como a tv, o rádio e a mídia impressa. Todas têm um público específico. 

O termo foi utilizado pela primeira vez pelo jornalista inglês Ben Hammersley, em 12 de fevereiro de 2004, na matéria intitulada "Revolução audível - O rádio on-line está crescendo graças aos iPods, softwares de áudio baratos e weblogs" (tradução livre), do jornal britânico The Guardian. Ele questionava o crescimento que o rádio amador estava vivendo com as recentes tecnologias de reprodução de áudio, como MP3 players e iPods. "Mas como vamos chamar isso? Audioblogging? Podcasting? GuerillaMedia?".
 
A palavra definiria uma forma de transmissão de dados que seria adotada no mundo todo. A dúvida de Hammersley foi respondida pelo ex-jornalista do The New York Times, Cristopher Lydon: "É uma abordagem para um tipo diferente de rádio. Meu sentimento é que a mídia tradicional na América está presa. Vamos pensar em um novo tipo de mídia", comentou. 

As vantagens disso estão principalmente no preço reduzido da produção e distribuição, que geralmente é de forma gratuita. Assim como a acessibilidade, que permite a reprodução em diversos dispositivos. Diferente dos vídeos que precisam de uma internet rápida para reprodução em alta qualidade, o podcast possibilita que o áudio seja baixado ou reproduzido por streaming a qualquer horário, mesmo em velocidades mais baixas de acesso. 

Para as novas gerações, o podcast será como a primeira página de um jornal comentada em áudio, uma vez que assistentes de voz já vêm embutidos nos smartphones. Sendo uma mídia de fácil consumo, a sensação de intimidade é poderosa, o que atrairá mais atenção do mercado para adaptação e teste de novos formatos. Libertar o consumidor da grande mídia, para dar a ele a oportunidade de ouvir em qualquer lugar e horário, será o futuro da comunicação.

*Marcos Robério de Freitas é estudante de jornalismo na Universidade do Vale do Itajaí - Univali (SC).

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