“SAÍMOS DA FASE DE ACHAR QUE O LEITOR VAI ESCREVER AS NOTÍCIAS”, DIZ ALEXANDRE MATIAS
 
 
 
 

O jornalista Alexandre Matias cobre a área de tecnologia desde que morava em Campinas (SP), em 1999, e era editor do caderno de “Cultura” do Correio Popular. Desde então, ele já passou por veículos como O Estado de S. Paulo e a revista Galileu, além de colaborar para a Folha de S.Paulo, revistas da Editora Abril e a Trip. IMPRENSA o convidou para uma conversa sobre os rumos e percalços da cobertura de tecnologia nas redações brasileiras e o que esperar para o futuro.

Ele explica que várias coisas que deixaram de ter a ver com a tecnologia pura e simples, mas com a forma que as pessoas utilizam essas ferramentas e equipamentos. "Isso mostra que a cobertura hoje não está voltada só aos produtos ou só ao ambiente digital", reitera. O próprio "Link", que surgiu em 1991, se chamou "Caderno de Informática" até 2004 quando houve a mudança, já com o enfoque maior no que as pessoas fazem com os equipamentos do que com os equipamentos em si.

“Era uma época em que as pessoas ainda estavam entrando no mundo dos computadores, a internet ainda era uma novidade para muitas pessoas. O 'Link' também surgiu como um clone do Orkut, ele tinha uma tentativa de criar uma rede social entre os leitores. Tanto que quando eu entrei lá, um dos principais problemas que a gente tinha era a administração das comunidades que tinham sobrado dessa época e que basicamente eram duas: uma de pornografia e uma evangélica. Eles ficavam brigando”, conta.

Quando entrou para o caderno do Estadão em 2007, Matias quis jogar essa tendência para um lado ainda mais extremo. “Acho que foi uma vantagem minha ser no Estadão, porque as áreas do jornal não estavam olhando para o que a tecnologia estava fazendo nas respectivas áreas”. 

Crédito:Caroline Bittencourt
Alexandre Matias fala sobre a cobertura de tecnologia no país

De acordo com ele, a extinção de cadernos de tecnologia nas grandes redações, como no Estado, é o “grande desafio do jornalismo de tecnologia hoje no Brasil é que você não tem uma observação constante”.

Tendências

“As ferramentas estão aí. Os jornalistas precisam aprender a usá-las e perder esse ranço de achar que é modismo. O Twitter não é mais tão importante como antes, mas ainda é uma ferramenta importante para os jornalistas. A morte do Eduardo Campos foi um ótimo exemplo disso”, apontou Matias.

Outra preocupação é o “Fla-Flu do Facebook”. “As pessoas tão se esbaldando com a possibilidade de poder emitir opiniões e muito jornalista tá entrando nessa. Hoje, todo mundo quer usar todos os meios digitais o tempo todo. Acho que a gente tá nessa fase de transição, se adaptando às ferramentas que a gente acha ideal.”

Entre os últimos lançamentos de gadgets, Matias destacou o Google Glass. Para ele, o celular no pulso vai funcionar como um controle remoto do que está no bolso, mas que ainda deve demorar um pouco para chegar ao Brasil.

Influência das mídias sociais

Há dez anos, com a ascensão das mídias sociais, a principal discussão era de que todo mundo ia ser jornalista. Aliado à criação de Wikipedia, Web 2.0 e blogs, qualquer pessoa era um jornalista em potencial. “Acontece que nem todo mundo tá disposto a ficar reportando coisas o tempo todo”, disse.

A profusão de fontes de informações advindas de Facebook, Twitter e outras redes que são utilizadas pelas redações reflete em mais um problema, segundo Matias: a falta de reflexão. “Um dos principais problemas do jornalismo brasileiro é que ele não pauta mais. Principalmente as semanais. Elas estão tomando um baque pesado da internet e estão achando que a culpa é da internet. Elas estão caindo porque o conteúdo já está todo na internet e aí os caras estão correndo atrás da discussão da semana. Cabe a essas revistas puxarem novas discussões”, aponta.  

“A gente já saiu dessa fase de achar que o leitor vai escrever as notícias. A principal discussão que existe hoje no jornalismo, não só em relação à tecnologia, é como pegar o público. A publicidade já entendeu a produção de conteúdo. Cada vez mais você vê páginas no Facebook, blogs, mesmo nas publicações impressas, de produtos trazendo notícia”, finaliza.

 
   
 
 
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