Lutas dos jornalistas ganham novos contornos

Fonte: Federação Nacional dos Jornalistas | 10/05/2005 10:11
No sul, sindicatos buscam unificar ações. Em Minas e no DF estão programadas assembléias para definir os rumos das campanhas. Em São Paulo, a intransigência patronal leva jornalistas de Rádio e TV para dissídio. Já em Sergipe, embora assinando acordo com conquistas parciais, a categoria quer mais. Veja, abaixo, mais detalhes sobre algumas das campanhas salariais de jornalistas em curso no país.

Sindicatos do Sul realizam seminário 
Representantes dos quatro sindicatos do Sul do País - Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Londrina - reuniram-se nos dias 6 e 7 de maio em Florianópolis para discutir a unificação da campanha salarial entre os Estados. O 1º Seminário de Unificação da Campanha Salarial definiu diretrizes de ação para as próximas negociações coletivas dos sindicatos.

A intenção é continuar as discussões para, no futuro, unificar a campanha no Sul. "Foi muito importante porque o seminário possibilitou a troca de experiências e de situações comuns e diferenciadas entre os sindicatos", explicou o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Luis Fernando Assunção.

No evento, a diretora da Fenaj, Valci Zucolotto, também realizou uma explanação sobre as ações da entidade neste início de ano, em especial a defesa da regulamentação profissional, reforma universitária e sindical.

Sindicato de Minas amplia mobilização
Em assembléia geral realizada no dia 4 de maio, os jornalistas de Belo Horizonte rejeitaram a proposta do sindicato das empresas de rádio e TV, considerando-a insatisfatória. Buscando evitar o dissídio e celebrar acordo coletivo, no entanto, decidiram rebaixar suas reivindicações, pleiteando piso e abono de R$ 1.000,00. No dia seguinte, os patrões apresentaram nova proposta que, segundo os representantes dos jornalistas "veste um santo com a roupa do outro": reajuste de 5%, piso de R$ 900,00 para rádio e R$ 1.000,00 para TV.

A categoria considera a unificação e elevação do piso fundamental. Por isso, além de buscar novos avanços no processo negocial, o SJPMG pretende ampliar a mobilização nas redações para sensibilizar o patronato. A data-base foi prorrogada até o dia 13 de maio. Os jornalistas têm nova assembléia marcada para quarta-feira, dia 11, às 20h, na sede do SJPMG.

Já quanto aos profissionais de jornais e revistas, após muitos protestos e pedido de intermediação da DRT, o sindicato patronal de BH marcou a primeira reunião de negociação para o dia 12 de maio.

Jornalistas de Sergipe têm reajuste de 8% e prosseguem lutando
Contrariados pela postura patronal de agarrar-se à Emenda Constitucional 45 (reforma do Judiciário) para negar o ingresso de Dissídio Coletivo no TRT, os jornalistas de Sergipe decidiram, em assembléia realizada dia 25 de abril, aceitar um reajuste de 8% retroativo a 1º de janeiro de 2005. Assim o piso para cinco horas passou a ser de R$ 684,36. A diferença retroativa deverá ser paga até junho.

A decisão foi por maioria, mostrando um grande descontentamento dos jornalistas com os patrões. E foi complementada com outras deliberações em busca da valorização da profissão: que o sindicato retome negociações já em maio buscando um novo 
reajuste em função do aumento do salário mínimo, denúncia em todas as instâncias 
judiciais e públicas dos flagrantes desrespeitos aos direitos trabalhistas dos 
jornalistas e fiscalização rigorosa do cumprimento da Convenção Coletiva de 2005 e da legislação trabalhista.

Empresas de Rádio e TV de São Paulo rejeitam proposta do TRT
Com data-base em dezembro, os jornalistas de Rádio e TV de São Paulo tiveram a perspectiva de desfecho da campanha salarial 2004/2005 - com um reajuste de 7,39% e abono de 35% - frustrada pelos empresários do setor. O segmento patronal rejeitou a proposta conciliatória do TRT/SP, remetendo a decisão final para Dissídio Coletivo.

Enquanto aguarda o julgamento do dissídio, a diretoria do Sindicato dos Jornalistas pretende procurar as empresas de Rádio e TV para tentar selar acordos com cada uma delas e, assim, garantir direitos e salários da categoria.

No DF sindicato realiza assembléias nas redações
O Sindicato dos Jornalistas do DF inicia, nesta segunda-feira (09/05), nova rodada de assembléias nas redações para análise de nova proposta dos empresários de comunicação para acordo coletivo. Ela inclui 6,08% (INPC cheio) mais um abono limitado a R$ 800,00 em duas parcelas, metade em maio e metade em setembro. Os pisos seriam reajustados em 6,08% para mídia impressa e 12% para mídia eletrônica, dividido em duas parcelas, 6% em maio e 6% em setembro. Após a consulta às redações, o Sindicato dará resposta aos patrões.